O que é espirometria e como funciona

15 min. de leitura

Conhecida por diferentes nomes, como Prova de Função Pulmonar ou Exame do Sopro, a Espirometria é um exame utilizado para medir a quantidade e o fluxo de ar que entra e sai dos pulmões. O resultado ajuda na análise das condições de ventilação do paciente e alguns casos não podem ser avaliados plenamente sem a realização deste exame complementar. Alterações podem indicar doenças respiratórias como asma ou DPOC.

Existem três situações principais em que o médico solicita o exame de espirometria: para investigar ou monitorar doenças respiratórias, para acompanhar o estado de saúde pulmonar de trabalhadores em ambientes que possam comprometê-la e para avaliar a capacidade pulmonar de atletas.

Com tecnologia de ponta e de fácil manuseio, hoje este equipamento pode ser operado por técnicos de enfermagem ou enfermeiros especializados, mas a recomendação é que os laudos somente sejam emitidos por médicos pneumologistas.

“O laudo de espirometria tem que ser assinado por médico com CRM do Estado onde o exame foi executado”, destaca o médico Marcelo Gervilla Gregório, diretor de defesa profissional da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).

A seguir confira todas as informações necessárias para aplicação deste exame, desde as modalidades de espirometria, tipos de aparelho, situações em que é recomendado pedir este exame, como preparar o paciente, parâmetros a serem analisados e como a telemedicina tem revolucionado este serviço ao tornar médicos referência neste mercado acessíveis a clínicas e hospitais com escassez destes especialistas.

Em que casos o exame de espirometria é indicado?

Existem duas modalidades de espirometria: a clínica e a ocupacional. A primeira é geralmente realizada ou solicitada pelo médico pneumologista para monitorar a evolução clínica de pacientes com doenças respiratórias mediante tratamento ou para diagnosticar o que pode estar por trás de sintomas como tosse, falta de ar, dor no peito ou respiração anormal.

A espirometria clínica também pode ser utilizada para o acompanhamento da evolução da capacidade respiratória de atletas e tem sido usada na medicina ligada a mergulhos ou altitudes. O exame de espirometria também pode ser requisitado para avaliar risco cirúrgico respiratório e a capacidade respiratória para fins periciais.

Já a espirometria ocupacional trata de monitorar a saúde respiratória de trabalhadores em atividades insalubres para o aparelho respiratório, como em ambientes onde são expostos a poeira ou produtos químicos, já que estão sujeitos a desenvolver doenças restritivas ou obstrutivas como a fibrose pulmonar.

Esta modalidade requer exames com gráficos mais simples e costuma ser realizada por médicos do trabalho, que devem fazer ou solicitar os exames periodicamente para avaliar a saúde do trabalhador e, caso seja detectado algum tipo de perda, tomar medidas com antecedência. Embora não há lei que proíba médicos do trabalho de emitir laudo para estes exames, a recomendação é que isto seja feito por pneumologistas.

portal telemedicina

Melhores aparelhos de espirometria

Existem dois tipos de aparelhos para exame de espirometria no mercado: os de mesa, que funcionam por meio de conexão com computadores, e os portáteis, que podem ser levados de um lado a outro e funcionam mesmo sem energia elétrica se conectados a um notebook com bateria carregada.

Os espirômetros estão inclusos em duas categorias: deslocamento de volume e sensores de fluxo. Os com sensores de fluxo são computadorizados ou têm um microprocessador, o que permite agilidade na realização de testes.

Os aparelhos portáteis permitem que o profissional da área da saúde vá até a empresa, domicílio do paciente ou unidade de internação aplicar o exame de espirometria e é o mais recomendado para quem atua neste tipo de situação.

Além de ver qual o tipo se adapta melhor a sua rotina de trabalho, na hora da escolha o profissional da saúde deve estar atento a outros detalhes importantes, como a qualidade do equipamento, se ele é registrado na Anvisa e se atende aos requisitos da American Thoracic Society (ATS).

Também é importante pesquisar as condições oferecidas para manutenção do aparelho, já que atualizações de software e calibragens precisam ser feitas com frequência, e se há opções de assistência técnica próximas.

Profissionais que não puderem investir na compra do equipamento neste momento podem optar pelo aluguel, alternativa que além do preço oferece a vantagem de você não precisar se preocupar com a manutenção e possíveis reparos, que são responsabilidade do proprietário.

Feita esta filtragem inicial, é hora de escolher o modelo que oferece melhor custo-benefício. Existem hoje inúmeras opções no mercado. O modelo Spirobank 2, por exemplo, tem memória capaz de armazenar até 6 mil testes, oferece interpretação avançada em espirometria, atualização de software pela internet e incentivo de animação pediátrico.

Como preparar o paciente para o exame de espirometria

exame-de-espirometria

Um teste de espirometria bem feito depende de um bom equipamento e da colaboração do paciente, por isso é importante que o profissional da saúde lhe dê as devidas orientações. Use os primeiros cinco minutos do exame para pesar e medir o paciente e fazer perguntas sobre seus sintomas respiratórios e antecedentes médicos.

Além dessas informações serem importantes para a avaliação, isso pode ajudar o paciente a relaxar e manter a respiração tranquila, fundamental para um resultado eficaz.

Para realizar o exame de espirometria o paciente não precisa estar em jejum, mas é importante que evite a ingestão de café, chá e bebida alcoólica por no mínimo seis horas antes do teste e pare de fumar duas horas antes.

Em alguns casos o médico pneumologista também deve orientar o paciente a suspender medicamentos, principalmente os inalados, antes dos testes. Mas se a intenção com o exame é saber como está o pulmão do paciente durante o tratamento com estas medicações esta recomendação não é necessária.

Em que casos o exame de espirometria não é recomendado

Embora o exame de espirometria clínico seja simples e indolor, existem casos em que há recomendação médica de fazer o exame de espirometria com bronquiodilatador e este tipo de medicamento pode causar taquicardia e ansiedade.

Por conta disso e do esforço necessário para as manobras de inspiração e expiração rápida, é contra-indicado realizar o exame em pacientes debilitados ou em situação que possa afetar a validade do teste.

Veja os casos em que é indicado adiar ou evitar o exame de espirometria:

  • Pacientes com pneumonia ou gripe;
  • Tosse com sangue;
  • Dor no peito recente;
  • Infarto do miocárdio recente;
  • Deslocamento de retina ou cirurgia ocular recente;
  • Crise hipertensiva;
  • Aneurisma de aorta torácica;
  • Edema pulmonar.

Como é feito o exame de espirometria

O exame de espirometria é indolor. O paciente pode fazê-lo sentado ou de pé e precisa aspirar o máximo de ar que conseguir e depois soprar com o máximo de força possível por seis segundos.

Antes de executar o exame é importante orientar o paciente a seguir soprando no bocal acoplado no espirômetro até você dar o sinal de que pode parar, pois se ele parar e aspirar novamente antes do tempo necessário irá alterar resultados do exame.

Para garantir que nenhum ar saia pelo nariz durante o processo, uma espécie de clipe é colocado para evitar a respiração nasal. O pneumologista ou técnico que aplicar o exame deve primeiro pesar e medir o paciente para que o sistema calcule os índices considerados adequados.

Depois da primeira etapa, que são três inspirações e aspirações fortes, o profissional da saúde irá aplicar um spray broncodilatador no paciente, nos casos em que houver este recomendação do pneumologista, e repetir o exame após cerca de 15 minutos.

Situações que podem comprometer o resultado do exame de espirometria

Antes do sopro forte para realização do exame, é preciso que o paciente inspire e expire em ritmo tranquilo e normal, se ele estiver muito ansioso e com a respiração ofegante tente acalmá-lo explicando que isso pode comprometer o resultado do exame.

Outra prática que pode afetar os resultados é o paciente esperar demais antes de soprar, por isso é importante orientá-lo quanto a necessidade de seguir seus comandos com agilidade. Também é preciso reforçar o cuidado para que o ar não escape pelo nariz e para que o paciente não interrompa o processo no meio e depois volte a soprar.

Mas um resultado eficaz não depende somente do paciente e do profissional que aplicar o exame de espirometria. Um equipamento ruim também pode comprometê-lo. Por isso, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia recomenda que o equipamento atenda aos requisitos mínimos elencados pela American Thoracic Society (ATS): seja microprocessado, passível de calibração e com apresentação gráfica das curvas e dos valores numéricos obtidos.

Se a apresentação do exame não atingir a estes critérios, o pneumologista tem o direito de não aceitá-lo e exigir que seja repetido ou feito em outro laboratório.

O que é o resultado de espirometria

Entre os dados sobre as condições ventilatórias do paciente fornecidos ao médico para a interpretação da espirometria estão:

Volume residual (VR) volume de ar que permanece no pulmão após a expiração máxima

Capacidade pulmonar total (CPT) – volume de gás nos pulmões após a inspiração máxima

Capacidade residual funcional (CRF) – volume de ar que permanece nos pulmões após uma expiração usual

Capacidade vital (CV) – maior volume de ar mobilizado

Capacidade Vital Forçada (CVF) – volume máximo de ar exalado com esforço máximo, após uma inspiração máxima

Volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) – volume de ar exalado no primeiro segundo da manobra de capacidade vital forçada

Fluxo expiratório forçado máximo (FEFmáx) – fluxo máximo de ar durante a manobra de CVF

Fluxo (FEFx ou FIFx) – fluxo expiratório ou inspiratório forçado instantâneo relacionado a um volume do registro da manobra de CVF

Ventilação voluntária máxima (VVM) – volume máximo de ar ventilado em um período de tempo por repetidas manobras respiratórias forçadas

Os índices considerados adequados para cada paciente variam de acordo com a idade, altura, peso e etnia, por isso antes do exame o profissional da saúde precisa obter estes dados do paciente e registrar no aparelho.

Interpretação do exame de espirometria

A combinação dos dados citados acima pode indicar distúrbios pulmonares que são divididos em cinco grupos: restritivo, obstrutivo, obstrutivo com capacidade vital reduzida, misto ou inespecífico. A seguir vamos falar sobre os casos mais frequentes:

Distúrbio ventilatório restritivo

As doenças deste tipo mais frequentes são fibrose pulmonar idiopática e a sarcoidose.

Distúrbio ventilatório obstrutivo

Quando há presença de obstrução nas vias aéreas, a asma é um exemplo.

Distúrbio obstrutivo com capacidade vital reduzida

Quando a obstrução das vias aéreas eleva muito o volume residual, reduzindo a capacidade vital do paciente.

Distúrbio misto

Quando a CV (F) está muito baixa na obstrução e o paciente tem uma doença potencialmente restritiva associada, como por exemplo asma e obesidade.

Onde fazer o exame de espirometria

O exame de espirometria costuma ser realizado em clínicas médicas, normalmente no próprio consultório do médico pneumologista. Por ser um dos exames exigidos na medicina do trabalho, para algumas profissões, também pode ser realizado em clínicas de saúde ocupacional.

Laudo do exame de espirometria com a telemedicina

O laudo do exame de espirometria pode ser emitido à distância, desde que haja um bom padrão técnico e que o médico pneumologista responsável tenha acesso aos dados antropométricos, questionário preliminar, todos os valores obtidos e curvas.

Isso porque o resultado do exame de espirometria deve ser analisado junto a outros dados e histórico do paciente. Este arsenal de informações o permitirão detectar se houve algum erro na execução do exame de espirometria, como o cadastro errado das informações do paciente (peso, altura, etnia) no sistema ou colaboração inadequada na hora do exame, como por exemplo quando o paciente puxou o ar novamente antes do tempo recomendado.

“Se as espirometrias são feitas com bom padrão técnico e o médico a distância tem acesso aos dados antropométricos, questionário preliminar, todos os valores obtidos e curvas, não existe transgressão. Em radiologia, essa forma de trabalho é muito comum”, esclarece Marcelo Gervilla Gregório.

A telemedicina permite que o pneumologista tenha acesso aos dados obtidos no exame em tempo real e desta forma tem tornado estes especialistas acessíveis a lugares onde há carência destes profissionais, além de permitir que clínicas e hospitais tenham acesso aos médicos mais renomados da área.

Por isso, essa tem sido uma estratégia importante para gestores de clínicas e hospitais em busca de modernizar os serviços e terem resultados mais rápidos e com mais qualidade, já que em alguns casos o estabelecimento ou entidade até então não conseguia contar com um dos melhores profissionais da área, mas sim o que estava disponível. Ao fazer o uso da telemedicina o gestor garante contar com profissionais em nível de excelência e referência neste tipo de atividade.

guia prático

Referências bibliográficas

  • Realização de Prova de Função Pulmonar/Espirometria por Enfermeiro, Técnico e Auxiliar de
    Enfermagem, parecer COREN-SP 070 /2013 – CT. Conselho Regional de Enfermagem do Trabalho.
  • SBPT esclarece aspectos legais sobre laudos de espirometria, Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).
  • Diretrizes para Testes de Função Pulmonar da SBPT.

 

0 respostas

Deixe uma resposta

Quer entrar na discussão?
Sinta-se livre para contribuir!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.