IA é primeiro recurso para dúvidas de saúde de 69% dos entrevistados no Brasil, aponta PwC
Pesquisa mostra que o uso da tecnologia para buscar informações não tem o mesmo peso na decisão: 66% citam profissionais de saúde entre suas principais influências, ante 20% que mencionam IA.
A inteligência artificial já é utilizada como primeiro recurso diante de uma dúvida de saúde por 69% dos entrevistados no Brasil, segundo a pesquisa Voz do Consumidor 2026, da PwC. Apesar dessa presença no início da busca por informação, apenas 20% incluem ferramentas de IA entre as cinco maiores influências sobre suas ações de saúde e bem-estar. Profissionais de saúde lideram esse segundo indicador, com 66%.
Os resultados revelam uma distinção importante: recorrer primeiro a uma ferramenta não significa atribuir a ela a principal influência sobre o que fazer. Na interpretação da PwC, a IA funciona mais como porta de entrada para informações do que como referência para a decisão.
Divulgada no Brasil em setembro, a pesquisa reuniu 21.808 consumidores com pelo menos 18 anos em 27 países e territórios. As entrevistas com consumidores ocorreram em fevereiro e março de 2026. O total corresponde à amostra internacional; o relatório brasileiro não informa separadamente o número de participantes do país.
Brasil tem o terceiro maior índice entre os países pesquisados
O percentual de brasileiros que relatam utilizar IA como primeiro recurso para dúvidas de saúde ficou atrás apenas dos resultados do Vietnã, com 81%, e do Egito, com 77%. A comparação se limita aos países participantes, não a um ranking de todo o mundo.
O relatório informa que o indicador chega a 68% na América Latina e a 75% no Oriente Médio. Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha ficam em torno de um terço, enquanto a média asiática é de 61%, com diferenças entre os países da região.
Os números descrevem o comportamento declarado pelos entrevistados. Não medem a precisão das respostas recebidas, a qualidade das ferramentas utilizadas nem o resultado clínico das orientações.
Buscar uma resposta não é o mesmo que orientar uma decisão
A diferença entre uso e influência é um dos principais pontos do levantamento. Embora a maioria dos entrevistados no Brasil relate começar pela IA, profissionais e outras fontes continuam tendo maior peso declarado nas ações de saúde e bem-estar.
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Fonte de influência |
Percentual dos entrevistados no Brasil que a incluem entre as cinco principais |
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Profissionais de saúde |
66% |
| Especialistas certificados |
58% |
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Própria curiosidade |
54% |
| Amigos, familiares ou colegas de trabalho |
44% |
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Dados de aplicativos e dispositivos vestíveis |
23% |
| Ferramentas de IA ou IA conversacional |
20% |
Os dados são apresentados pela PwC como fontes de influência distintas. Os participantes podiam selecionar mais de uma; portanto, os percentuais não devem ser somados nem interpretados como grupos exclusivos.
O resultado também não permite afirmar que 69% dos entrevistados substituíram consultas por IA. A pesquisa registra o recurso utilizado no início da busca, mas esse indicador não informa quantos deixaram de procurar atendimento ou alteraram um tratamento.
Aplicativos e dispositivos também participam da rotina de saúde
A presença digital vai além dos chatbots. No Brasil, 86% dos participantes utilizam aplicativo ou dispositivo vestível, como relógio, pulseira ou anel inteligente, para pelo menos uma atividade de saúde e bem-estar. A média global é de 80%.
O indicador reúne aplicativos e dispositivos em uma mesma medida. Não significa que 86% possuem um smartwatch, fazem acompanhamento diário ou utilizam equipamentos com finalidade clínica.
As metas declaradas ajudam a compreender esse interesse. Entre os entrevistados brasileiros, 52% selecionaram viver mais e com mais saúde entre seus objetivos, 50% citaram reduzir o estresse ou melhorar a saúde mental e 38% apontaram melhorar o sono. Nessa pergunta, era possível escolher até três metas.
Para os serviços de saúde, o conjunto sugere uma jornada em que dúvidas, registros e expectativas podem surgir antes do contato com um profissional. A oportunidade apontada pela PwC é conectar esses momentos a um cuidado mais precoce e coordenado.
Informação clara é uma demanda dos consumidores
Ao avaliar produtos e serviços voltados às suas metas de saúde, 74% dos entrevistados brasileiros colocaram informações claras sobre o que é a solução e como ela funciona entre os atributos mais importantes. A média global foi de 66%.Custo-benefício foi citado por 73% no Brasil e no conjunto internacional.
O achado é relevante para clínicas, hospitais e empresas de saúde digital: oferecer mais dados ou funcionalidades não significa, necessariamente, tornar uma decisão mais simples.
A PwC observa que excesso de métricas, termos técnicos e etapas pode dificultar a adoção, mesmo quando existe interesse. No atendimento, isso reforça o valor de explicar a finalidade de um exame, os limites de uma ferramenta e os próximos passos do cuidado em linguagem compreensível.
O que muda para médicos e gestores
Na análise setorial do relatório, a PwC aponta sono, estresse, peso, prevenção, monitoramento e triagem digital como oportunidades de contato antes do cuidado formal. Também destaca o papel de familiares que escolhem ferramentas e suporte para parentes mais velhos.
Para os serviços, uma aplicação prática é incluir a informação buscada pelo paciente na conversa, em vez de tratá-la como um assunto separado do atendimento.
Perguntas como “O que você pesquisou?”, “Qual resposta recebeu?” e “Isso mudou alguma decisão sua?” podem ajudar a organizar esse diálogo. Trata-se de uma proposta de comunicação, não de um efeito clínico comprovado pelo levantamento.
Da mesma forma, instituições que utilizam IA devem deixar claro quando a pessoa está interagindo com uma ferramenta automatizada e quando existe participação de um profissional. Um chatbot informativo, um recurso de triagem e uma consulta médica são atividades diferentes; o dado sobre procura por IA não demonstra equivalência entre elas.
Como levar uma dúvida de IA para a consulta
Para quem já utiliza essas ferramentas, uma forma de tornar a conversa com o profissional mais objetiva é anotar:
- A dúvida que motivou a pesquisa.
- A resposta que gerou preocupação ou expectativa.
- Os sintomas e quando começaram.
- Os exames ou informações utilizados na conversa.
- Se alguma decisão foi tomada depois da resposta.
Esses pontos são sugestões para organizar o relato, não resultados da pesquisa. O objetivo é permitir que o profissional compreenda o contexto e esclareça o que se aplica à situação individual.
Uma resposta genérica, por mais convincente que pareça, não deve ser tratada como confirmação de diagnóstico ou justificativa para iniciar, interromper ou modificar tratamento sem orientação profissional.
O que a pesquisa permite concluir e quais são seus limites
O levantamento documenta hábitos, percepções e intenções dos consumidores. Ele não é um teste de sistemas diagnósticos nem uma avaliação de segurança de chatbots.
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O levantamento mostra |
O levantamento não demonstra |
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Uso declarado de IA como primeiro recurso para dúvidas. |
Que as respostas recebidas estavam corretas. |
| Fontes que influenciam ações de saúde e bem-estar. |
Que a IA substituiu o atendimento profissional. |
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Uso de aplicativos e dispositivos em pelo menos uma atividade. |
Que todos os usuários façam monitoramento clínico. |
| Preferências e metas de consumidores. |
Melhora de desfechos, redução de internações ou economia assistencial. |
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Comparações entre os países participantes. |
Um ranking de todos os países ou uma descrição de cada brasileiro. |
Esses limites decorrem do escopo descrito na metodologia: os participantes responderam a perguntas sobre saúde e bem-estar, hábitos, tecnologia, IA, metas e produtos relacionados.
A ausência do tamanho da amostra brasileira no relatório também limita a avaliação independente da precisão dos percentuais nacionais. Por isso, os dados devem ser apresentados como resultados dos entrevistados no país, sem generalização irrestrita.
Sobre a pesquisa
A Voz do Consumidor 2026 foi conduzida pela PwC Research com 21.808 pessoas de pelo menos 18 anos, em 27 países e territórios, entre fevereiro e março de 2026. O estudo também incorporou entrevistas com executivos realizadas em abril e maio.
A versão brasileira, intitulada A frequência do bem-estar, foi divulgada em setembro. O relatório completo está disponível na página oficial da pesquisa na PwC Brasil.pwc.com
Os resultados mostram que a busca digital já participa do caminho até o cuidado. Para pacientes, profissionais e gestores, o desafio é conectar essa informação à orientação adequada — preservando a diferença entre receber uma resposta e tomar uma decisão de saúde.




