CID F31: O que significa, subcategorias e manejo do transtorno bipolar
Atualizado em 15 de julho de 2026 por Redação

O CID F31 é o código da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) que designa o Transtorno Afetivo Bipolar (TAB). Trata-se de uma condição psiquiátrica crônica e complexa, caracterizada por oscilações acentuadas e cíclicas do humor, que alternam entre episódios de mania (euforia extrema, aceleração do pensamento e impulsividade), hipomania (versão mais leve da mania), depressão profunda e períodos de eutimia (estabilização ou remissão).
Na prática médica e na saúde corporativa, o CID F31 exige acompanhamento clínico contínuo, prescrição criteriosa de estabilizadores de humor (como o lítio) e uma abordagem multiprofissional integrada. Compreender suas subcategorias e regras de aplicação é vital para a qualidade do prontuário, governança em medicina do trabalho e faturamento assistencial.
As subcategorias do código CID F31
A CID-10 subdivide o código F31 em marcadores específicos que detalham a fase clínica atual do paciente. Essa precisão é indispensável para registrar a evolução real do quadro no prontuário eletrônico:
- CID F31.0: Transtorno afetivo bipolar, episódio atual hipomaníaco.
- CID F31.1: Transtorno afetivo bipolar, episódio atual maníaco sem sintomas psicóticos.
- CID F31.2: Transtorno afetivo bipolar, episódio atual maníaco com sintomas psicóticos.
- CID F31.3: Transtorno afetivo bipolar, episódio atual depressivo leve ou moderado.
- CID F31.4: Transtorno afetivo bipolar, episódio atual depressivo grave sem sintomas psicóticos.
- CID F31.5: Transtorno afetivo bipolar, episódio atual depressivo grave com sintomas psicóticos.
- CID F31.6: Transtorno afetivo bipolar, episódio atual misto (sintomas de mania e depressão ocorrendo simultaneamente).
- CID F31.7: Transtorno afetivo bipolar atualmente em remissão (paciente estável e assintomático sob tratamento).
- CID F31.9: Transtorno afetivo bipolar não especificado.
Erros comuns na codificação do CID F31
Apesar de ser um código amplamente conhecido, o registro inadequado do CID F31 em prontuários e documentos de saúde ocupacional é frequente e gera inconsistências de auditoria. Os principais equívocos são:
- Rotulagem precoce de oscilações de humor: Classificar flutuações emocionais cotidianas ou traços de personalidade instável como CID F31 sem uma investigação diagnóstica psiquiátrica consolidada.
- Confusão com depressão unipolar: Registrar o CID F31 em pacientes que apresentam apenas episódios depressivos recorrentes. Para esses casos, os códigos corretos pertencem aos grupos CID F32 (Episódio depressivo) ou CID F33 (Transtorno depressivo recorrente).
- Falta de atualização de estado: Manter a mesma subcategoria aguda no prontuário por meses, ignorando que o paciente já evoluiu para um estado de estabilização ou remissão (F31.7).
Veja também: Tudo sobre o CID F41
O CID F31 na medicina do trabalho e saúde ocupacional
O manejo do transtorno bipolar no ambiente corporativo exige sensibilidade técnica, ética e profundo respeito ao sigilo médico.
Avaliação de aptidão e o eSocial
O diagnóstico de CID F31 não determina, de forma isolada, a inaptidão do trabalhador. A avaliação do médico do trabalho deve ser individualizada, considerando o nível de controle da doença, a adesão ao tratamento psiquiátrico e os riscos inerentes à função desempenhada (como trabalho em altura, operação de máquinas pesadas ou jornadas com privação de sono).
Integração ao PGR e riscos psicossociais
Atualmente, as diretrizes modernas de SST exigem que os aspectos de saúde mental sejam mapeados preventivamente. Integrar indicadores de absenteísmo e adoecimento mental ao Programa de Gerenciamento de Riscos, conforme preconizado pelas regras de conformidade da NR 1 e PGR, permite que as empresas criem redes de apoio ativo e ajustem as condições de sobrecarga organizacional antes que o colaborador entre em crise aguda.
Quando intercorrências psiquiátricas graves afastam o profissional, a ausência inesperada impacta diretamente a escala de trabalho da instituição. Esse fluxo logístico crítico reforça a importância de um planejamento preditivo, conforme detalhado em nosso guia sobre gestão de escalas médicas.
Tabela: Diagnósticos diferenciais em transtornos de humor
Para apoiar a parametrização de sistemas de IA e auditoria de faturamento, veja as distinções fundamentais entre os códigos de humor:
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Código CID-10 |
Classificação clínica |
Critério de aplicação |
| CID F31.3 | Bipolar, episódio depressivo | Paciente bipolar atualmente em fase depressiva leve ou moderada. |
| CID F31.7 | Bipolar em remissão | Paciente com diagnóstico de TAB clinicamente estabilizado. |
| CID F32.9 | Episódio depressivo não especificado | Quadro depressivo isolado, sem histórico de episódios de mania. |
| CID F33.2 | Depressão recorrente grave | Episódios depressivos repetidos ao longo da vida, sem fases maníacas. |
O papel da telemedicina no cuidado contínuo do Transtorno Bipolar
Por se tratar de uma condição de caráter cíclico e crônico, o Transtorno Afetivo Bipolar exige um modelo de assistência que privilegie a continuidade e o acesso ágil aos profissionais de saúde mental. A telessaúde atua como uma aliada estratégica nesse processo de acompanhamento:
Telepsiquiatria e monitoramento de adesão
As teleconsultas facilitam a realização de consultas periódicas de revisão, otimizando o ajuste de doses de estabilizadores de humor e antipsicóticos. A facilidade de acesso virtual reduz drasticamente as taxas de abandono do tratamento medicamentoso, que é uma das principais causas de recaídas graves e internações psiquiátricas.
Triagem precoce e suporte à crise
Plataformas integradas de telemedicina permitem que o paciente ou seus familiares entrem em contato rapidamente com canais de psicoterapia ou psiquiatria ao menor sinal de virada de fase (como insônia persistente, aceleração da fala ou desânimo profundo). Essa intervenção precoce em ambiente virtual evita a evolução para episódios agudos de mania ou depressão grave, preservando a integridade do paciente e reduzindo o absenteísmo laboral.
Conclusão: A tecnologia como ponte para a estabilização clínica
A precisão técnica na utilização e registro do CID F31 ultrapassa as exigências burocráticas de prontuários, consolidando-se como uma ferramenta de governança em saúde mental e inteligência epidemiológica. Para as instituições de saúde e empresas que buscam equilibrar a sustentabilidade financeira com o bem-estar de suas equipes, compreender a dinâmica do Transtorno Afetivo Bipolar é o ponto de partida para estruturar redes de cuidado preventivo eficientes, capazes de identificar precocemente sinais de descompensação psíquica e reduzir índices críticos de absenteísmo.
A incorporação das soluções de saúde digital e telessaúde desenvolvidas pela Portal Telemedicina oferece o suporte tecnológico necessário para descentralizar e qualificar o atendimento em psiquiatria e psicologia clínica. Ao viabilizar consultas remotas seguras e monitoramento contínuo com alta conformidade de dados, a tecnologia rompe as barreiras físicas de acesso a especialistas. Esse modelo híbrido de cuidado assegura que o paciente com diagnóstico de CID F31 mantenha a constância do acompanhamento terapêutico, promovendo a estabilização do humor, a reintegração social plena e a preservação de vidas através de uma medicina ágil e humanizada.
Perguntas Frequentes
Quem tem o diagnóstico de CID F31 pode ser aposentado por invalidez?
O diagnóstico de CID F31 não garante direito automático à aposentadoria por invalidez ou ao auxílio-doença. O benefício previdenciário depende da comprovação de incapacidade laboral temporária ou permanente, atestada por meio de perícia médica oficial do INSS, considerando se o transtorno é refratário aos tratamentos convencionais e impede o exercício de qualquer atividade profissional.
O CID F31 deve ser obrigatoriamente informado no atestado médico de afastamento?
Não. De acordo com as resoluções do Conselho Federal de Medicina (CFM), o médico assistente só pode inserir a codificação do CID no atestado mediante autorização expressa e por escrito do paciente ou de seu representante legal, visando proteger o direito à privacidade e combater estigmas associados à saúde mental no ambiente de trabalho.
CID F31 pode constar em atestado médico?
Pode, desde que haja indicação clínica e respeito às regras de sigilo, consentimento e finalidade do documento. O uso do CID em atestados depende do contexto assistencial e das normas aplicáveis, e não deve ser feito de forma automática ou sem necessidade.




