Testosterona: o que é, para que serve, sintomas de baixa e como diagnosticar corretamente
Atualizado em 6 de janeiro de 2026 por Redação

A testosterona é um hormônio essencial para a saúde metabólica, sexual, óssea e muscular de homens e mulheres. Alterações em seus níveis podem impactar desde a libido e a fertilidade até energia, humor e composição corporal. No entanto, testosterona baixa não é diagnosticada apenas por sintomas ou por um único exame exige avaliação médica criteriosa, exames bem indicados e interpretação adequada do contexto clínico.
Neste artigo, você vai entender o que é testosterona, para que ela serve, quais são os sintomas de deficiência, como é feito o diagnóstico correto e quando considerar tratamento, com uma abordagem segura, atualizada e alinhada à prática clínica.
O que é testosterona
A testosterona é o principal hormônio androgênico do organismo. Embora seja mais abundante nos homens, também está presente e exerce funções importantes nas mulheres, em concentrações menores.
Ela é produzida principalmente:
- Nos testículos, nos homens
- Nos ovários e glândulas adrenais, nas mulheres
Sua produção é regulada pelo eixo hipotálamo–hipófise–gônadas, um sistema hormonal sensível a fatores como idade, sono, doenças crônicas, estresse e composição corporal.
Para que serve a testosterona no corpo
A testosterona atua em múltiplos sistemas do organismo, o que explica por que sua deficiência pode gerar sintomas variados e inespecíficos.
Principais funções da testosterona
- Função sexual: libido, resposta sexual e bem-estar sexual
- Composição corporal: manutenção de massa muscular, força e influência na distribuição de gordura
- Saúde óssea: contribuição para a densidade mineral óssea
- Energia e cognição: relação com disposição, motivação e concentração (não exclusiva do hormônio)
- Fertilidade masculina: papel essencial na produção de espermatozoides, em conjunto com outros hormônios
Na prática clínica, a testosterona só deve ser investigada quando há sintomas consistentes associados ao contexto clínico, evitando exames isolados sem indicação.
Testosterona baixa: o que realmente significa
“Testosterona baixa” não é um diagnóstico baseado apenas em um número. O termo costuma se referir a uma situação em que:
- Os níveis hormonais estão abaixo do esperado em exames repetidos,
- A coleta foi feita em condições adequadas,
- E existem sintomas compatíveis, avaliados por um médico.
Variações naturais ao longo do dia, interferências laboratoriais e fatores clínicos podem alterar resultados, o que reforça a importância da interpretação médica.
Sintomas de testosterona baixa
Os sintomas variam entre indivíduos e podem ter outras causas, como distúrbios do sono, estresse, depressão, uso de medicamentos ou doenças crônicas. Ainda assim, alguns sinais são frequentemente associados.
Sintomas sexuais (mais comuns em homens)
- Diminuição da libido
- Disfunção erétil ou piora do desempenho sexual
Sintomas físicos e metabólicos
- Cansaço persistente e queda de energia
- Redução de massa muscular e força
- Aumento de gordura corporal ou dificuldade em manter composição corporal
Sintomas emocionais e cognitivos
- Desânimo, piora do bem-estar geral
- Dificuldade de concentração
Quando esses sintomas são intensos, progressivos ou associados a infertilidade, puberdade atrasada ou osteoporose precoce, a avaliação médica deve ser antecipada.
Testosterona em mulheres: o que muda?
Nas mulheres, a testosterona também desempenha papel relevante, especialmente em:
- Libido e bem-estar sexual
- Massa muscular
- Saúde óssea
Níveis muito baixos podem estar associados a fadiga, queda de desejo sexual e piora da qualidade de vida, enquanto níveis elevados podem causar acne, irregularidade menstrual e hirsutismo. A interpretação deve ser ainda mais cuidadosa, pois os valores de referência são diferentes dos masculinos.
O que pode causar testosterona baixa
As causas variam conforme idade, histórico clínico e achados laboratoriais. De forma geral, são classificadas em:
- Primárias (testiculares): quando o problema está diretamente no testículo
- Secundárias (hipotálamo ou hipófise): quando há falha no estímulo hormonal
- Funcionais ou associadas a condições clínicas: obesidade, doenças crônicas, uso de medicamentos e fatores metabólicos
Diferenciar essas categorias é essencial, pois impacta diretamente na conduta e nos riscos do tratamento.
Como diagnosticar testosterona baixa corretamente
O diagnóstico adequado envolve três pilares fundamentais.
1. Avaliação clínica
Durante a consulta, o médico avalia:
- Sintomas e impacto funcional
- Histórico de doenças, medicamentos, sono e hábitos
- Necessidade de exames complementares
2. Exame de testosterona: horário e repetição
A testosterona apresenta variação diária. Por isso:
- A coleta costuma ser recomendada pela manhã, preferencialmente em jejum
- Resultados baixos devem ser confirmados com uma segunda dosagem
3. Testosterona total, livre e SHBG: como interpretar
Parte da testosterona circula ligada a proteínas, principalmente a SHBG. Alterações nessa globulina podem mascarar resultados.
Na prática, o médico pode solicitar:
- Testosterona total como primeiro exame
- SHBG e estimativa de testosterona livre quando o resultado é limítrofe
- Testosterona livre, com método adequado, em situações específicas
Valores de referência e exames mais solicitados
Na prática clínica, estes são os principais exames usados na avaliação da testosterona:
|
Exame |
Quando solicitar | Valores de referência (homens adultos) |
Observação |
|
Testosterona total |
Suspeita inicial | 300–1000 ng/dL | Repetir se <300 |
| Testosterona livre | Total limítrofe + sintomas | 5–21 ng/dL |
Preferir método por diálise |
|
SHBG |
Obesidade, DM ou total normal | 10–50 nmol/L | Ajuda a estimar fração bioativa |
| LH / FSH | Diferenciar causa primária ou secundária | — |
Avalia eixo hormonal |
Quando procurar endocrinologista ou urologista
A avaliação especializada é indicada quando há:
- Sintomas persistentes compatíveis com deficiência hormonal
- Testosterona repetidamente baixa em exames adequados
- Dúvidas na interpretação entre total, livre e SHBG
- Planejamento reprodutivo antes de qualquer tratamento
TRT (reposição de testosterona): riscos e acompanhamento
A terapia de reposição de testosterona (TRT) pode ser indicada em casos selecionados, após diagnóstico confirmado e exclusão de contraindicações.
É fundamental entender que:
- TRT não é solução universal para cansaço ou baixa libido
- Exige monitorização regular (hematócrito, PSA, perfil lipídico, entre outros)
- Uso sem indicação e sem acompanhamento aumenta riscos e frustrações terapêuticas
Telemedicina e linha de cuidado hormonal
Com o crescimento da demanda por investigação hormonal, a telemedicina permite:
- Triagem inicial estruturada
- Solicitação e integração de exames
- Interpretação clínica com agilidade
- Acompanhamento longitudinal seguro
Plataformas integradas, como as da Portal Telemedicina, automatizam fluxos, reduzem tempo de espera e entregam laudos rápidos, inclusive em contextos de urgência.
Em resumo: o que você precisa saber sobre testosterona
- Testosterona é um hormônio essencial em homens e mulheres
- Testosterona baixa exige sintomas + exames bem feitos + avaliação médica
- Um número isolado não define diagnóstico
- Tratamento só deve ser iniciado após investigação adequada
- Tecnologia e telemedicina ampliam acesso e segurança no cuidado
Conclusão
A testosterona tem impacto direto na qualidade de vida, mas seu cuidado exige responsabilidade clínica, interpretação adequada e acompanhamento contínuo. Evitar diagnósticos simplistas e tratamentos sem critério é parte fundamental de uma medicina segura e baseada em evidências. Com processos bem estruturados e apoio da tecnologia, é possível investigar, diagnosticar e acompanhar alterações hormonais de forma eficiente, ética e centrada no paciente.




