
Segundo a Organização Mundial da Saúde, 87% dos países membros possuem pelo menos um projeto voltado à aplicação da telemedicina. Os avanços na adoção governamental dessa prática cresceu muito nos últimos anos, especialmente por causa dos esforços no combate e controle da Covid-19. No Brasil, o cenário não é diferente: em 2020, a telemedicina foi autorizada emergencialmente ainda em abril, pouco depois do início da pandemia e, em 2022, o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou a regulamentação que rege a modalidade no país. Entre as muitas potencialidades da telemedicina na saúde pública, pode ser destacado o apoio à vigilância epidemiológica na detecção e monitoramento de problemas. Neste artigo, você vai entender melhor como essas duas áreas se relacionam.
De acordo com a Lei n° 8.080/90, “entende-se por vigilância epidemiológica um conjunto de ações que proporcionam o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos”.
Partindo dessa concepção, fica claro que o objetivo central da vigilância epidemiológica é proporcionar uma orientação técnica para os profissionais de saúde de forma permanente, pois são eles que detém o poder de decidir sobre ações de controle de doenças. É apenas por meio de informações atualizadas sobre doenças e epidemias — ou até mesmo pandemias — que se pode determinar um plano de ação combativo eficiente.
Esse campo de estudo e monitoramento de infecções contagiosas surgiu na década de 1950 e tem como marco inicial no Brasil a Campanha de Erradicação da Varíola, que ocorreu entre 1966 e 1973. Foi nesse período que a vigilância epidemiológica passou a integrar as Secretarias Estaduais de Saúde e, desde então, sofreu diversas modificações. O atual o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SNVE) faz parte do Sistema Único de Saúde (SUS) desde sua criação em 1990, como dispõe a Lei n° 8.080/90.
Chao Lung Wen, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), divide em três as aplicações da telemedicina: teleducação interativa e rede de aprendizagem colaborativa, pesquisa multicêntrica/colaboração de centros de excelência e da rede de “teleciência”, e teleassistência/regulação e vigilância epidemiológica.
No que diz respeito à última categoria, ele afirma, em artigo publicado no periódico Informática Pública (2008), que a telemedicina pode contribuir para o desenvolvimento de sistemas integrados, uma “estratégia para estabelecer uma vigilância epidemiológica das endemias, epidemias e doenças estratégicas do Ministério da Saúde”.
Considerando o ecossistema de informação em que vivemos hoje, a telemedicina é uma ferramenta que pode ser transformadora para a vigilância epidemiológica. Isso porque, por meio da internet, médicos especialistas podem atender pessoas que, de outra forma, não teriam acesso a consultas.
Isso democratiza o acesso à medicina e a saúde pública, bem como permite que mais e mais pessoas possam usufruir de tratamentos modernos e diagnósticos precisos. Com apoio da tecnologia, serviços de saúde chegam a mais lugares, saindo dos grandes centros urbanos e adentrando os chamados “vazios sanitários”.
A telemedicina contribui para melhorias na vigilância epidemiológica. Confira alguns exemplos:
Além do tratamento de doenças, a gestão de saúde populacional abarca ainda promoção de saúde e prevenção, pois manter a população saudável significa agir sobre os diversos fatores que impactam a saúde do grupo, seja ele o corpo de funcionários de uma empresa ou os habitantes de uma nação.
Nesse sentido, a telemedicina ajuda a reunir dados e analisá-los com mais eficácia. Por meio dos avanços em saúde digital, é possível coletar indicadores e entendê-los melhor, possibilitando tomadas de decisões mais assertivas. Um exemplo disso é o projeto fruto da parceria entre a Portal Telemedicina, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo (SES/SP), que gerou a criação de uma plataforma de gestão de saúde populacional e detecção de fraudes.
Com algoritmos de inteligência artificial e aprendizado de máquina, a plataforma agrupa dados por similaridade, geografia ou período de tempo. Dessa forma, o grande volume de informações coletadas pode ser visualizado com mais clareza, indicando aumentos repentinos de demandas ou casos de uma determinada doença — informações bastante relevantes para a vigilância epidemiológica.
O atendimento médico online, além de pronto atendimento, pode ser também uma forma de monitoramento de casos de pacientes que já realizaram uma primeira consulta de forma presencial.
A teleconsulta é uma das principais ferramentas da telemedicina e uma grande auxiliar da vigilância epidemiológica, pois contribui para o controle de surtos de doenças de maneira mais eficiente.
A integração de sistemas e de dados contribui diretamente com os processos de coleta, armazenamento e análise de dados, atividade inerente ao trabalho de vigilância epidemiológica. Por meio de softwares integrados, é possível realizar essa tarefa de forma muito mais ágil e precisa, bem como identificar quaisquer mudanças no quadro geral de saúde de uma população.
Por meio de sistemas tecnológicos, pode-se detectar o princípio de um surto ou epidemia em tempo real, o que possibilita agir contra o problema antes que ele se agrave e aumente de proporção.
A telemedicina, quando inserida em uma estratégia de gestão de saúde, pode ser uma ferramenta muito útil no controle e prevenção de doenças. Cenários como o que vivemos na pandemia, por exemplo, podem ser identificados cada vez mais rápido, e informações sobre sintomas, casos e agravamentos contribuem para que se identifique a causa e o tratamento com agilidade. Na vigilância epidemiológica, o grande volume de informações gerado por sistemas integrados contribui para que se trace um plano de ação mais imediato e assertivo.
A Portal Telemedicina vem contribuindo para essa área por meio da plataforma de telemedicina SOS Portal e de parcerias como a firmada com o BID e a SES/SP. Para saber mais sobre esses projetos, acesse o site.
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