Telemedicina

Telepresença na saúde: o que é, como funciona e aplicações na telemedicina

7 min. de leitura

senhora deitada na cama, em consulta com médico no tablet e enfermeira ao lado

A telepresença está transformando a forma como profissionais de saúde se conectam a pacientes, equipes e hospitais em diferentes regiões. Mais do que uma simples chamada de vídeo, a telepresença médica utiliza tecnologias avançadas para criar a sensação de que o profissional está fisicamente presente, mesmo à distância.

Em um cenário de expansão da telemedicina, escassez de especialistas e necessidade de decisões clínicas rápidas, a telepresença se consolida como ferramenta estratégica para ampliar acesso, qualificar diagnósticos e apoiar unidades hospitalares de todos os portes.

Neste post, você vai entender:

  • O que é telepresença na saúde
  • Diferença entre telepresença e videoconferência
  • Como funciona na prática
  • Aplicações em UTI, cirurgia e ensino
  • Benefícios e limitações
  • Como integrar à estratégia de telemedicina

O que é telepresença?

Telepresença é o uso de tecnologias de áudio, vídeo de alta definição e, em alguns casos, robótica, para permitir que um profissional atue remotamente com sensação de presença física, interagindo em tempo real com pessoas, ambientes e equipamentos.

Na saúde, a telepresença médica permite que um especialista:

  • Acompanhe pacientes em uma UTI remotamente
  • Participe de visitas médicas e discussões clínicas
  • Oriente procedimentos em tempo real
  • Supervise equipes em hospitais distantes

Diferente de uma videochamada comum, a telepresença busca reproduzir a experiência presencial com máxima fidelidade técnica e mínima latência.

Telepresença x videoconferência: qual a diferença?

Embora ambas conectem pessoas à distância, há diferenças técnicas importantes.

Videoconferência tradicional

  • Usa celular, notebook ou tablet
  • Qualidade depende da internet individual
  • Geralmente não integra sistemas clínicos
  • Indicada para teleconsultas simples ou reuniões administrativas

Telepresença na saúde

  • Câmeras profissionais com múltiplos ângulos
  • Áudio com cancelamento de ruído
  • Baixa latência (quase sem atraso)
  • Integração com prontuário eletrônico e exames
  • Pode incluir robôs móveis ou braços robóticos

Resumo prático: toda telepresença envolve vídeo, mas nem toda videoconferência é telepresença.

Como funciona a telepresença médica?

A telepresença depende da integração de cinco pilares tecnológicos:

1. Captura de imagem e som

Câmeras PTZ (movimento remoto), resolução 4K e microfones profissionais garantem clareza clínica.

2. Dispositivos de exibição

Telas grandes ou múltiplas permitem visualizar paciente, equipe e exames simultaneamente.

3. Robôs de telepresença

Equipamentos móveis controlados remotamente, que permitem ao médico “circular” pela unidade.

4. Conectividade de alta performance

Internet estável, com baixa latência e redundância.

5. Integração com sistemas clínicos

Conexão com prontuário eletrônico, PACS, monitorização e plataformas de telemedicina.

Sem integração, a telepresença se torna apenas uma chamada de vídeo sofisticada.

Principais aplicações da telepresença na saúde

Tele-UTI e monitoramento remoto

Especialistas em terapia intensiva podem acompanhar leitos de hospitais menores, visualizando monitores e interagindo com a equipe local.

Benefícios:

  • Padronização de condutas
  • Redução de transferências
  • Decisões mais rápidas

Discussões de caso e segunda opinião

Reuniões multidisciplinares (tumor boards, rounds clínicos) com compartilhamento de exames em alta resolução.

Impacto:

  • Melhoria na tomada de decisão
  • Redução de erros diagnósticos
  • Maior segurança assistencial

Telecirurgia e suporte a procedimentos

Em contextos com infraestrutura adequada, especialistas podem:

  • Orientar procedimentos complexos
  • Supervisionar cirurgias
  • Apoiar equipes menos experientes

Além disso, a telepresença é uma ferramenta poderosa para ensino médico.

Ensino e capacitação profissional

  • Aulas práticas transmitidas em alta definição
  • Supervisão remota de residentes
  • Simulações clínicas distribuídas

Isso amplia o acesso à formação especializada sem deslocamentos.

Benefícios da telepresença

Para hospitais e clínicas

  • Acesso a especialistas sem contratação local integral
  • Otimização da capacidade instalada
  • Redução de custos com transferências
  • Maior resolutividade clínica

Para profissionais de saúde

  • Suporte em casos complexos
  • Segunda opinião estruturada
  • Redução de isolamento profissional em regiões remotas

Para pacientes

  • Atendimento com apoio de especialistas
  • Decisões mais rápidas
  • Menor necessidade de deslocamento

Quando a telepresença não substitui a presença física?

Apesar dos avanços, a telepresença não elimina a necessidade de profissionais no local.

Ela não substitui:

  • Exame físico completo quando indispensável
  • Procedimentos invasivos sem equipe local
  • Atendimentos emergenciais que exigem intervenção imediata

A telepresença é complementar, não substitutiva.

Desafios e limitações

Custo inicial

Equipamentos profissionais e robótica podem exigir investimento relevante.

Infraestrutura

Conectividade inadequada compromete qualidade e segurança.

LGPD e segurança de dados

É essencial garantir criptografia, controle de acesso e consentimento adequado.

Cultura organizacional

Equipes precisam ser treinadas para incorporar a presença remota ao fluxo assistencial.

Telepresença e telemedicina: qual a relação?

A telemedicina é o termo guarda-chuva que engloba todas as práticas médicas realizadas à distância.

A telepresença é uma das aplicações mais avançadas dentro da telemedicina, focada na reprodução da experiência presencial com alto nível de integração tecnológica.

Instituições que já utilizam telelaudos, teleconsultas e teleinterconsultas estruturadas têm maior facilidade para evoluir para modelos de telepresença.

Como implementar telepresença na sua instituição

  1. Estruture primeiro a telemedicina básica

  2. Defina casos prioritários (ex: UTI, suporte especializado)

  3. Avalie infraestrutura de rede

  4. Integre à plataforma clínica existente

  5. Treine equipes e estabeleça protocolos

Telepresença deve ser parte de uma estratégia digital integrada, e não um projeto isolado.

Conclusão

A telepresença representa um avanço significativo na transformação digital da saúde. Ao permitir interação remota com alta fidelidade técnica e integração clínica, ela amplia acesso a especialistas, fortalece equipes locais e melhora a qualidade assistencial.

Para hospitais, clínicas e redes que já atuam com telemedicina estruturada, a telepresença é o próximo passo natural na evolução da assistência remota.

Perguntas Frequentes

 

Telepresença é a mesma coisa que telemedicina?

Não. Telepresença é uma tecnologia dentro do ecossistema da telemedicina.

Telepresença substitui o médico presencial?

Não. Ela complementa a equipe local.

Pode ser usada em pequenas clínicas?

Sim, especialmente para discussão de casos e acesso a especialistas.

Telepresença é segura?

Sim, desde que utilize plataformas seguras, criptografadas e alinhadas à legislação de proteção de dados.

Redação

Redação é o time de especialistas em conteúdo da Portal Telemedicina, responsável por criar e compartilhar informações atualizadas e relevantes sobre tecnologia em saúde, telemedicina e inovações no setor.

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