
A prescrição de enfermagem é um componente essencial do Processo de Enfermagem (PE) e um dos principais instrumentos para garantir cuidado qualificado, seguro, contínuo e cientificamente fundamentado. Ela registra, de forma sistematizada, as intervenções planejadas pelo enfermeiro para atender às necessidades de saúde do paciente, sustentando a prática profissional nos pilares técnico-científicos, éticos e legais.
Segundo a Resolução COFEN nº 358/2009, a prescrição de enfermagem compõe a etapa de planejamento do Processo de Enfermagem e deve orientar a implementação das ações de cuidado, prevenção, promoção, proteção, recuperação e reabilitação em saúde.
Uma prescrição bem elaborada:
A prescrição de enfermagem é o conjunto de intervenções planejadas e registradas pelo enfermeiro, baseadas nos diagnósticos de enfermagem, que direciona a assistência individualizada e contínua.
Ela deve:
O Processo de Enfermagem é composto por cinco etapas estruturantes:
A prescrição se localiza na etapa 3 (planejamento), sendo uma tradução prática das metas e intervenções necessárias para atingir os resultados esperados. Durante a implementação, a equipe executa as intervenções prescritas. Na avaliação, o enfermeiro revisa, ajusta ou suspende ações conforme a evolução do paciente.
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Ações decididas exclusivamente pelo enfermeiro, com base em julgamento clínico, como:
Execução requer ordem médica, mas envolve julgamento clínico de enfermagem para segurança, como:
Construída em conjunto com outros profissionais:
Essa classificação é essencial em contextos acadêmicos e de auditoria para análise da autonomia e atribuições profissionais.
| Categoria | Subtipo | Descrição Objetiva | Exemplos Comuns | Nível de Autonomia do Enfermeiro |
|---|---|---|---|---|
| Quanto ao Conteúdo | Cuidados básicos | Intervenções essenciais para conforto, higiene e suporte às necessidades humanas básicas. | Higiene; mudança de decúbito; oferta hídrica; auxílio na alimentação; monitorização simples. | Independente |
| Quanto ao Conteúdo | Cuidados preventivos | Ações que evitam complicações, riscos e eventos adversos durante a internação. | Prevenção de LPP; prevenção de quedas; cuidados respiratórios; protocolos de prevenção de infecção. | Independente |
| Quanto ao Conteúdo | Cuidados terapêuticos | Intervenções relacionadas ao tratamento e estabilidade clínica do paciente. | Administração de medicamentos curativos; oxigenoterapia; nebulização; monitorização intensiva. | Dependente ou interdependente |
| Quanto ao Conteúdo | Cuidados de reabilitação | Ações para promover independência funcional, mobilidade e recuperação física. | Treino de marcha; exercícios orientados; uso de dispositivos de apoio; orientação postural. | Independente ou interdependente |
| Quanto à Autonomia | Prescrição independente | Ações decididas e executadas exclusivamente pelo enfermeiro com base em julgamento clínico. | Mudança de decúbito; orientação de autocuidado; medidas de conforto; prevenção de riscos. | Independente |
| Quanto à Autonomia | Prescrição dependente | Exige ordem médica, mas requer julgamento de enfermagem para execução segura e monitorização. | Administração de medicamentos; infusões; terapias prescritas pelo médico. | Dependente |
| Quanto à Autonomia | Prescrição interdependente | Ações planejadas em conjunto com equipe multiprofissional, integrando diferentes saberes. | Planos de alta; reabilitação multiprofissional; protocolos clínicos integrados. | Interdependente |
Uma prescrição eficaz deve ser:
✔ Clara (sem termos vagos)
✔ Individualizada
✔ Temporalizada (quando, com que frequência, por quanto tempo)
✔ Mensurável
✔ Baseada em evidências
✔ Direcionada aos diagnósticos de enfermagem
Realizar curativo em lesão sacral utilizando limpeza com soro fisiológico 0,9% em jato e cobertura de espuma de poliuretano. Avaliar diariamente e trocar a cada 72 horas ou antes se saturado, úmido, sujo ou descolado. Registrar aspecto, presença de tecido de granulação/esfacelo, exsudato e dimensões a cada troca.
Esse formato contempla clareza, temporalidade, critérios de troca e parâmetros de monitorização.
A prescrição de enfermagem é um ato privativo do enfermeiro, conforme:
Requisitos obrigatórios no prontuário:
Faltas de registro configuram falhas ético-legais e fragilizam auditorias e investigações.
O enfermeiro pode prescrever medicamentos:
Fundamentação:
Limites:
A digitalização aprimora:
Plataformas de telemedicina ampliam a efetividade da prescrição ao:
Isso fortalece os pilares do Processo de Enfermagem e reduz omissões assistenciais.
Antes de finalizar, verifique:
A prescrição de enfermagem, quando fundamentada em evidências, alinhada ao Processo de Enfermagem e integrada a sistemas digitais e telemedicina, torna-se um instrumento poderoso para qualificar o cuidado, fortalecer a segurança do paciente e garantir respaldo ético-legal ao enfermeiro.
A prescrição de enfermagem é um documento elaborado pelo enfermeiro que reúne todas as intervenções necessárias para atender às necessidades do paciente. Ela é baseada na avaliação clínica, no diagnóstico de enfermagem e nos protocolos institucionais. Sua função é orientar a equipe de enfermagem sobre as ações que devem ser realizadas para garantir segurança, continuidade do cuidado e resultados assistenciais padronizados. É um instrumento essencial para organizar o trabalho, prevenir erros e assegurar qualidade na assistência.
Para fazer uma prescrição de enfermagem adequada, o enfermeiro deve começar avaliando o paciente de forma completa, considerando sinais clínicos, queixas, histórico e necessidades imediatas. Em seguida, identifica os diagnósticos de enfermagem correspondentes e define as intervenções apropriadas, sempre baseadas em evidências e nos protocolos da instituição. Depois disso, registra as ações de forma clara e objetiva, indicando como devem ser realizadas, com qual frequência e quais parâmetros devem ser monitorados. Por fim, revisa periodicamente a prescrição e ajusta conforme a evolução do paciente, garantindo que o plano assistencial permaneça atualizado e eficiente.
Uma prescrição de enfermagem deve incluir orientações completas e detalhadas sobre as intervenções que a equipe deve executar. Ela precisa conter um verbo de ação, a descrição clara da atividade, a frequência com que deve ser realizada e os parâmetros que precisam ser observados durante o cuidado. Também é importante registrar os critérios de suspensão ou ajuste, quando aplicáveis. Além disso, o documento deve estar devidamente datado, assinado e identificado pelo enfermeiro responsável, garantindo rastreabilidade e conformidade com as normas do COFEN e com as práticas de segurança do paciente.
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