Tecnologia e Inovação

Impacto do 5G na telemedicina: usos e possibilidades

8 min. de leitura

Expansão do atendimento e mais rapidez na emissão de laudos estão entre os benefícios que a tecnologia 5G pode trazer para a área da saúde

Neste ano, todas as capitais brasileiras deverão receber a tecnologia 5G, segundo previsão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A nova geração de internet móvel promete velocidade ultrarrápida e a possibilidade de ampliar o número de objetos conectados à internet, fortalecendo as cidades inteligentes e a Internet das Coisas (IoT, sigla em inglês para “internet of things”).

Mas o que isso significa para a medicina? Neste artigo, você vai entender melhor como essa nova tecnologia pode impactar o dia a dia de profissionais da área da saúde e quais são os principais usos e possibilidades para o 5G na saúde, e mais especificamente, na área da telemedicina.

5G na telemedicina

A rede 5G é uma tecnologia que traz diversas melhorias para a conexão em redes móveis. Além do aumento de velocidade em relação à rede vigente — 4G e 5G DSS, que é uma versão de transição da quarta para a quinta geração —, a cobertura será amplificada e o tempo de resposta das redes sem fio será até 100 vezes mais rápido.

Para a telemedicina, que foi recentemente regulamentada no Brasil, isso se traduz em um grande impulso. Com a pandemia, modalidades como a teleconsulta se popularizaram e vêm conquistando a aceitação dos profissionais de saúde e do público em geral. Na pesquisa Telemedicina no Brasil, por exemplo, 73% dos pacientes mostraram-se abertos a adotar as consultas remotas no seu dia a dia.

Nesse contexto, as vantagens do 5G como uma internet mais veloz, com baixa latência e agilidade de conexão aumentam a qualidade das videochamadas, contribuindo para o atendimento a distância.

5G na telemedicina

Aplicações do 5G na telemedicina

As aplicações da tecnologia 5G na medicina, no entanto, não se restringem apenas às chamadas de vídeo e aos contatos síncronos e assíncronos entre paciente e médico.

Confira alguns exemplos de usos dessa conexão na área da saúde e como a telemedicina pode se beneficiar dessa nova geração de conexão:

Avanço do armazenamento em nuvem

Com mais capacidade de rede, é possível armazenar mais dados na nuvem e acessá-los mais rapidamente. Esse tipo de armazenamento de informações já vem se disseminando em diversas clínicas e hospitais adeptos da prática da telemedicina, pois é isso que permite que médicos acessem as informações, histórico de saúde e laudos dos pacientes a qualquer momento, a partir de qualquer lugar.

Monitoramento de pacientes em tempo real

A maior velocidade da tecnologia 5G vai permitir que médicos e equipes possam monitorar os pacientes em tempo real, com atualizações constantes do estado de saúde de cada um.

A partir de dispositivos eletrônicos, aparelhos vestíveis (wearables), rastreadores e outros equipamentos, é possível gerar dados de maneira constante, o que aumenta a possibilidade de acompanhamento médico e da identificação de eventuais problemas em tempo real.

Saiba mais: 22 tendências da telemedicina

Expansão do atendimento

Entre as diversas vantagens oferecidas pela telemedicina, uma delas é a chance de levar atendimento médico especializado a localidades e indivíduos que, de outra maneira, não teriam acesso a profissionais de diversas áreas.

Hoje, dados da Anatel mostram que 98% dos brasileiros possuem acesso à internet móvel. Com a conexão mais eficiente fornecida pelo 5G, mesmo quem vive em lugares distantes dos principais centros médicos pode realizar consultas online com especialistas, sem a necessidade de deslocamento.

Leia também: Consulta online: como a tecnologia amplia a capacidade de atendimento

Mais rapidez na emissão de laudos

A rapidez de conexão fornecida pelo 5G irá também trazer avanços para a comunicação entre dispositivos utilizados na prática médica.

Hoje, equipamentos de alta tecnologia já permitem que laudos de exames médicos sejam gerados com agilidade e fornecidos ao paciente em até 24 horas, ou até menos tempo em caso de urgência. O uso do 5G na medicina promete ainda mais velocidade nessas operações, o que traz benefícios tanto para o paciente, que recebe mais rapidamente seus resultados, quanto para as equipes de clínicas e hospitais, que podem otimizar a rotina de atendimentos.

Cirurgias robóticas

Considerando que a rede 5G é de baixa latência — ou seja, o tempo de transmissão de dados é menor —, o campo das cirurgias robóticas, em que o médico realiza os procedimentos de forma remota por meio da operação de uma máquina e de inteligência artificial, deve se intensificar.

No entanto, as pesquisas e o desenvolvimento de equipamentos que permitem esse tipo de intervenção demandam banda larga em tempo real, com uma latência de rede menor do que 10 milissegundos. A possibilidade pode estar ainda um pouco distante, mas a implementação do 5G pode trazer avanços nessa área.

Conclusão

Já bastante disseminado em grande parte das instituições da área, o conceito de saúde digital — que se refere ao uso das tecnologias de informação e comunicação nas rotinas e práticas de clínicas e hospitais — se beneficia imensamente de uma forma de conexão que traz agilidade e velocidade para os atendimentos e comunicações entre médicos e pacientes.

Além disso, as inovações não param por aí: a inteligência artificial, que já vem sendo implementada em atividades como a triagem de atendimentos e para a aceleração de laudos de exames urgentes, como os cardiológicos, também será otimizada e ainda mais desenvolvida a partir dessa tecnologia de conexão.

Por meio da Internet das Coisas, cada vez mais objetos estarão conectados à rede, o que permite que, em um contexto médico, os profissionais operem equipamentos de alta tecnologia e recebam resultados assertivos com mais rapidez. Na prática, isso significa agilidade no atendimento, ampliação da capacidade de realização de exames e consultas, otimização das rotinas e redução de custos.

Com a chegada do 5G, é importante que hospitais e clínicas passem a se adaptar a essa modalidade, investindo em equipamentos e dispositivos que tenham capacidade para operar nessa faixa de rede. Nos próximos anos, a tendência é que tudo migre para o 5G, e a área da saúde, certamente, seguirá o mesmo caminho.

Saiba mais:

Tecnologia na área da saúde: como inovar na minha clínica?
Guia de IA para médicos: papel da inteligência artificial para um diagnóstico mais preciso

Vinicius

Jornalista e redator com experiência nas áreas de tecnologia e saúde

Conteúdos recentes

Médico coordenador do PCMSO na era da telemedicina: papel, regras e limites

Resposta rápida: O médico coordenador do PCMSO — formalmente denominado pela NR-7 como médico do…

20 de agosto de 2026

NR-35 atualizada em 2026: o que mudou, quem precisa cumprir e regras de saúde ocupacional

Resposta rápida: A NR-35 (Trabalho em Altura) é a Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho…

19 de agosto de 2026

NR 10 atualizada em 2026: o que muda e como adequar sua empresa

A NR 10 (Norma Regulamentadora nº 10) foi oficialmente atualizada pela Portaria MTE nº 737,…

18 de agosto de 2026

Escala de coma de Glasgow: o que é, como calcular e o que significam os pontos

A Escala de coma de Glasgow (ECG ou GCS, do inglês Glasgow Coma Scale) é…

17 de agosto de 2026

Portal Telemedicina inicia operação do Programa de Saúde Digital de São Paulo em 15 de agosto

A Portal Telemedicina, líder do Consórcio Health Max, inicia neste dia 15 de agosto de…

15 de agosto de 2026

CID F32: o que significa episódio depressivo, sintomas, tratamento e afastamento

O CID F32 é o código da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) utilizado para diagnosticar…

14 de agosto de 2026