
Anamnese é a etapa inicial da avaliação clínica em que o profissional de saúde coleta, por meio do diálogo, informações sobre a história de saúde do paciente, seus sintomas, hábitos de vida e antecedentes familiares. Ela orienta o exame físico, os exames complementares e é fundamental para um diagnóstico preciso e seguro.
A palavra “anamnese” tem origem no grego antigo: ana (“trazer de novo”) e mnésis (“memória”), significando literalmente “trazer de volta à memória”. Já nos tempos da Grécia Clássica, médicos como Hipócrates utilizavam o diálogo com o paciente para tentar entender a história da doença e aliviar seu sofrimento, estabelecendo as bases do método clínico.
Ao longo dos séculos, a anamnese evoluiu de um relato empírico para um processo científico estruturado, principalmente a partir do século XIX, com a diferenciação clara entre sinais (objetivos) e sintomas (subjetivos). Essa evolução consolidou a anamnese como o primeiro e mais relevante passo no ato médico, guiando diagnósticos, exames complementares e condutas clínicas.
Hoje, a anamnese é reconhecida em todas as áreas da saúde — medicina, nutrição, odontologia, enfermagem — como instrumento essencial para a avaliação integral do paciente. Ágil e bem conduzida, ela representa não só um exercício técnico, mas também um momento de vínculo, escuta ativa e humanização do cuidado, sendo responsável por grande parte do sucesso diagnóstico mesmo na era dos exames de alta tecnologia.
A anamnese é considerada o alicerce do método clínico. Estudos indicam que mais de 70% das hipóteses diagnósticas podem ser formuladas a partir de uma anamnese bem conduzida — muitas vezes antes mesmo de exames laboratoriais ou de imagem.
Além do aspecto técnico, a anamnese:
Fortalece o vínculo entre profissional e paciente
Estimula a escuta ativa e o cuidado humanizado
Reduz erros diagnósticos
Evita exames desnecessários
Melhora desfechos clínicos
A anamnese não é exclusiva do médico. Ela pode ser realizada por diversos profissionais da saúde, sempre respeitando seu escopo de atuação:
Médicos
Enfermeiros
Nutricionistas
Psicólogos
Fisioterapeutas
Dentistas
A qualidade da anamnese depende tanto do profissional quanto da colaboração do paciente, que deve fornecer informações claras e verdadeiras.
Leia também: Como preencher uma ficha de anamnese estética
A maneira de realizar a anamnese varia de acordo com cada profissional, que tem autonomia para conduzir o diálogo da melhor maneira possível para atingir o objetivo do diagnóstico. Contudo, o procedimento pode ser categorizado em algumas abordagens e etapas.
A entrevista pode ser feita com uma postura mais ativa por parte do profissional, conduzindo de fato a conversa e fazendo as perguntas ao paciente. Ao mesmo tempo, a abordagem pode ocorrer de maneira mais passiva, permitindo um espaço de fala mais amplo ao paciente e assumindo uma postura de maior observação. É importante destacar que estes métodos não são excludentes mas, na maioria das vezes, complementares.
Vamos a um exemplo de uma anamnese realizada na hipótese de um paciente com um problema na coluna. É importante colher algumas particularidades:
Outras perguntas, igualmente coerentes e legítimas, sobre a razão de aplicação do exame:
Visando a uniformidade do relatório e a compreensão de outros profissionais que terão acesso ao documento, a anamnese também pode ser dividida em algumas etapas. Veja:
Coleta inicial de informações como nome, endereço, idade, sexo, raça, profissão, estado civil. São dados importantes para avaliação de enfermidades que se manifestam de diferentes formas e com frequências distintas em diferentes grupos.
É a razão maior pela qual o paciente buscou ajuda médica. Não se trata de um diagnóstico de outro médico, por exemplo, mas quais os sintomas e sinais indicados pelo paciente que o levaram até ali. É recomendado anotar nos termos descritos pelo próprio paciente.
Quando e como este sintoma começou? Nesta etapa, o objetivo é que o paciente conte a história da sua queixa atual, da forma mais livre e com menor interferências possível. É recomendado utilizar a terminologia médica para avaliar pontos como a data de início dos sintomas, a evolução temporal, a intensidade, o que agrava e o que alivia aquele sintoma.
Aqui a intenção é levantar informações sobre doenças manifestadas no passado tanto pelo paciente quanto por seus familiares. É possível diagnosticar patologias não tratadas, interações medicamentosas e doenças hereditárias na família. Questionamos procedimentos cirúrgicos realizados, vacinas tomadas, internações, uso de medicamentos, alergias e problemas familiares como questões psiquiátricas, diabetes e câncer.
Saiba mais: Tudo sobre anamnese ocupacional
Por fim, mas não menos importante, buscamos identificar os hábitos e a rotina de vida do paciente. Fuma? Bebe? Faz uso de drogas? Como é sua dieta e rotina de exercícios? São perguntas que, junto com a análise da frequência e variações destes hábitos, podem fornecer informações esclarecedoras sobre o quadro de saúde.
| Etapa | Objetivo |
|---|---|
| Identificação | Contextualizar o paciente |
| Queixa principal | Entender o motivo da consulta |
| História da doença atual | Analisar evolução do quadro |
| Histórico pessoal e familiar | Identificar riscos e predisposições |
| Hábitos de vida | Avaliar impacto no estado de saúde |
Muito utilizada na nutrição, avalia:
Hábitos alimentares
Frequência de refeições
Preferências e restrições
Objetivos nutricionais
Foca em:
Funcionamento emocional
Queixas psíquicas
Histórico social e familiar
Eventos traumáticos
É essencial para diagnóstico e acompanhamento terapêutico.
A ficha de anamnese é o registro organizado das informações coletadas durante a consulta.
Hoje, ela costuma estar integrada ao prontuário eletrônico, garantindo:
Segurança dos dados
Continuidade do cuidado
Facilidade de acesso por equipes multidisciplinares
Assim como ocorre na anamnese médica, a entrevista psicológica é uma etapa fundamental da avaliação clínica, voltada para a coleta de informações que ajudam a compreender o paciente de forma integral. Nesse processo, o psicólogo investiga aspectos emocionais, comportamentais e cognitivos, essenciais para formular hipóteses diagnósticas, traçar estratégias de intervenção e monitorar a evolução terapêutica ao longo do tempo.
A entrevista busca estabelecer um vínculo terapêutico e levantar dados relevantes sobre:
Histórico familiar e social
Funcionamento emocional e mental
Hábitos de vida e rotinas
Queixas e sintomas psicológicos
Eventos marcantes e traumas
Ela pode ser estruturada (com roteiro pré-definido), semiestruturada ou livre, dependendo da abordagem teórica e do objetivo clínico.
Confira: Anamnese fisioterapêutica
No contexto da anamnese em saúde mental, a entrevista psicológica cumpre o papel de investigação inicial, sendo muitas vezes o primeiro contato aprofundado entre profissional e paciente. É por meio dela que se identificam sinais de transtornos, padrões de comportamento disfuncionais e fatores de risco psíquico e social.
A entrevista pode ser usada para:
Diagnóstico de transtornos mentais (como ansiedade, depressão, TDAH, entre outros)
Avaliação para psicoterapia ou intervenções específicas
Processos de orientação vocacional ou escolar
Perícias psicológicas e avaliações para cirurgias
Conheça: Anamnese nutricional
Com a digitalização da saúde:
A anamnese pode ser feita por telemedicina
Dados ficam centralizados em prontuários eletrônicos
Reduz-se retrabalho administrativo
Aumenta-se a rastreabilidade clínica
A tecnologia não substitui a escuta — ela potencializa a qualidade da anamnese.
Leia também como a tecnologia pode colaborar com o atendimento humanizado e conheça as soluções da Portal Telemedicina.
A anamnese é muito mais do que uma conversa inicial: ela é a base do diagnóstico, do cuidado humanizado e da tomada de decisão clínica.
Quando bem estruturada, reduz erros, melhora resultados e fortalece a relação entre profissional e paciente.
Aliada à tecnologia, a anamnese se torna ainda mais eficiente, organizada e segura — sem perder seu caráter humano.
A anamnese é a primeira etapa de uma consulta médica, na qual o profissional coleta informações detalhadas sobre o paciente. Ela inclui histórico de saúde, doenças prévias, hábitos de vida, uso de medicamentos e antecedentes familiares. Esse processo permite direcionar o exame físico e os exames complementares, favorecendo um diagnóstico mais preciso.
A anamnese deve ser feita por meio de uma conversa estruturada entre médico e paciente. O profissional utiliza perguntas abertas e fechadas para investigar sintomas, histórico clínico, hábitos de vida, antecedentes pessoais e familiares. Além disso, registra dados de identificação e queixa principal. A qualidade da anamnese depende da escuta ativa, da empatia e da clareza na comunicação.
A anamnese do paciente é o levantamento minucioso de informações clínicas e pessoais obtidas durante a consulta. Ela permite compreender o estado atual do paciente, suas queixas e o contexto em que os sintomas surgem. Esse registro é fundamental para definir hipóteses diagnósticas, planejar exames complementares e indicar o tratamento adequado.
A ficha de anamnese é o documento, físico ou digital, onde o médico registra todas as informações coletadas durante a consulta. Ela organiza dados de identificação, histórico clínico, hábitos de vida, antecedentes familiares, queixa principal e evolução do paciente. Hoje, muitos consultórios utilizam prontuários eletrônicos que integram a ficha de anamnese, facilitando o acompanhamento ao longo do tempo.
A anamnese é essencial porque representa a base de todo o processo diagnóstico. Mais de 70% das hipóteses médicas podem ser levantadas a partir de uma anamnese bem conduzida, antes mesmo de exames complementares. Além disso, fortalece a relação médico-paciente, contribui para a personalização do cuidado e auxilia na prevenção de complicações futuras.
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