A genética médica, também conhecida como genética clínica, é uma das áreas mais promissoras da medicina moderna, permitindo identificar predisposições genéticas, diagnosticar doenças hereditárias e desenvolver tratamentos personalizados. Com o avanço das pesquisas e das tecnologias de sequenciamento genético, essa especialidade tem se tornado cada vez mais essencial para a medicina de precisão.
No Brasil, apesar do crescimento da área, ainda há desafios relacionados ao acesso e à formação de especialistas. Neste guia completo, exploramos os principais aspectos da genética médica, suas aplicações e o impacto na saúde da população.
A genética médica é a especialidade da medicina que investiga doenças hereditárias, identifica mutações genéticas e propõe abordagens terapêuticas e preventivas. Com o avanço da genômica e da medicina de precisão, que investiga características genéticas para oferecer um diagnóstico e tratamento personalizado para o paciente, essa é uma área em crescente expansão no Brasil e no mundo.
Apesar da alta demanda, o Brasil conta com apenas 407 médicos geneticistas registrados (dados de 2023). Esse número reduzido impacta diretamente o acesso da população a diagnósticos genéticos, tornando essencial a colaboração entre especialistas e o uso da telemedicina.
A genética médica abrange diversas especialidades, incluindo:
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A especialização em genética médica no Brasil exige residência de três anos (acesso direto: não é necessária uma especialização prévia), com treinamento em diagnóstico clínico e laboratorial. É uma carreira de alto impacto para a medicina personalizada.
O Brasil conta com iniciativas como a Política Nacional de Atenção à Saúde em Genética Clínica, instituída pela Portaria Nº 81, DE 20 de Janeiro DE 2009 com o objetivos que vão desde organizar uma linha de cuidados integrais, com equipes multidisciplinares, qualificar profissionais até incentivar a realização de pesquisas e projetos estratégicos para incorporação de tecnologias na área de genética clínica.
Outra iniciativa é o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), mais conhecido como “teste do pezinho”. Trata-se de um conjunto de ações preventivas, responsável por identificar precocemente indivíduos com doenças metabólicas, genéticas, enzimáticas e endocrinológicas, aumentando o sucesso do tratamento e evitando sequelas a partir do monitoramento e acompanhamento da criança.
Dados do Ministério da Saúde mostram que em 2020 a cobertura percentual da PNTN era de 82,53%.
Com o avanço do sequenciamento genético e da inteligência artificial, a genética médica se tornou essencial para diagnósticos precisos e terapias inovadoras. O Programa Nacional de Genômica e Saúde de Precisão (Genomas Brasil) é um dos projetos que impulsionam esses avanços no país.
A telemedicina permite consultas genéticas remotas, ampliando o acesso ao aconselhamento genético para regiões distantes e carentes de especialistas.
A medicina personalizada, impulsionada pela genética médica, tem o potencial de transformar o sistema de saúde e gerar impactos significativos na economia. Embora os testes genéticos ainda sejam caros no Brasil, seu uso pode reduzir custos hospitalares ao permitir diagnósticos precoces e tratamentos mais eficazes.
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Ao identificar predisposições genéticas para doenças crônicas, como câncer e distúrbios metabólicos, os médicos podem adotar estratégias preventivas, reduzindo internações, cirurgias e tratamentos prolongados. Além disso, a personalização de terapias evita desperdícios com medicamentos ineficazes, otimizando os investimentos em saúde pública e privada.
Enquanto países como os EUA e o Reino Unido investem pesadamente na medicina genômica, o Brasil ainda enfrenta desafios na implementação de políticas de acesso universal.
A expansão da genética médica traz desafios éticos e regulatórios que precisam ser debatidos e normatizados. Questões como privacidade genética, armazenamento e compartilhamento de dados sensíveis exigem legislações robustas para evitar o uso indevido dessas informações.
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Além disso, há preocupações com a discriminação genética em seguros e ambientes de trabalho, onde indivíduos com predisposição a certas doenças podem ser prejudicados. O uso de técnicas avançadas, como a edição genética via CRISPR-Cas9, também levanta debates sobre bioética e possíveis consequências imprevistas.
Regulamentações claras e o cumprimento de diretrizes internacionais são fundamentais para garantir um uso seguro e responsável da genética médica.
A diversidade genética da população brasileira, resultado da miscigenação entre povos indígenas, africanos e europeus, influencia diretamente as pesquisas genéticas e o desenvolvimento de terapias personalizadas. Diferentes grupos populacionais possuem variantes genéticas específicas que podem afetar a predisposição a certas doenças e a resposta a medicamentos.
No entanto, grande parte dos estudos genéticos ainda é baseada em populações europeias, o que pode limitar a eficácia dos tratamentos no Brasil. Investir em pesquisas genômicas nacionais é essencial para desenvolver soluções mais eficazes para a realidade brasileira, garantindo um atendimento médico mais preciso e inclusivo.
Apesar dos avanços na genética médica, o acesso a exames genéticos e consultas com especialistas ainda é restrito no Brasil, principalmente devido ao alto custo e à baixa disponibilidade de profissionais. Para ampliar o acesso, algumas estratégias podem ser adotadas:
Com essas iniciativas, a genética médica pode se tornar uma ferramenta mais presente na rotina de diagnósticos e tratamentos no Brasil, beneficiando tanto o sistema de saúde quanto os pacientes.
Com o crescimento da medicina de precisão e o aprimoramento das tecnologias genômicas, essa especialidade promete revolucionar o setor da saúde. No entanto, para que seu impacto seja plenamente aproveitado, o Brasil precisa superar desafios como a formação de mais especialistas, a ampliação do acesso a exames genéticos e a criação de regulamentações que garantam um uso ético e seguro das informações genéticas.
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