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Dislalia (Transtorno Fonológico): O que é, tipos, causas, diagnóstico e tratamento

10 min. de leitura

menina fazendo treinamento com fonoaudióloga

A dislalia, também conhecida como transtorno fonológico, é um distúrbio da fala bastante comum, principalmente em crianças. Caracteriza-se pela dificuldade em articular corretamente os fonemas, comprometendo a comunicação, a vida escolar e até a autoestima.

Embora seja frequente, a dislalia pode gerar dúvidas em pais, educadores, médicos e fonoaudiólogos. Neste artigo completo, vamos explorar o que é a dislalia, seus tipos, causas, sinais de alerta, formas de diagnóstico, tratamento e como a telemedicina pode apoiar nesse processo.

O que é Dislalia (transtorno fonológico)?

A dislalia é um transtorno da linguagem caracterizado por falhas na pronúncia dos sons da fala. Pode ocorrer de diferentes formas:

  • Omissão de sons – dizer “asa” em vez de “casa”.
  • Substituição – “tato” em vez de “gato”.
  • Distorção – alteração no modo como o fonema é articulado.
  • Adição – inserção de sons extras.

Essas alterações comprometem a clareza da fala e, quando não tratadas, podem impactar a leitura, escrita e desenvolvimento social.

Tipos de Dislalia

A Dislalia pode ser classificada em diferentes tipos, de acordo com sua origem e características:

Tipos de dislalia e suas características

Tipo de Dislalia Causa Principal Características Prognóstico
Evolutiva Desenvolvimento natural da fala até ~4 anos Troca ou omissão de sons típicos da idade Normalmente transitório
Funcional Hábitos ou má aprendizagem Uso prolongado de chupeta, mamadeira; trocas persistentes de fonemas Bom com intervenção precoce
Audiogênica Alterações auditivas Dificuldade em perceber e reproduzir sons Depende da reabilitação auditiva
Orgânica Alterações neurológicas ou anatômicas Fenda palatina, paralisia cerebral, malformações Exige abordagem multidisciplinar

Causas e fatores associados

As causas da dislalia são multifatoriais e podem envolver aspectos físicos, auditivos, emocionais e ambientais:

  • Hábitos de sucção prolongada (mamadeira, chupeta, dedo);
  • Problemas dentários ou musculares;
  • Alterações anatômicas da cavidade oral (ex.: língua presa, fenda palatina);
  • Lesões neurológicas;
  • Deficiências auditivas;
  • Falta de estímulo comunicativo na infância;
  • Fatores emocionais e psicológicos, como ansiedade ou insegurança.


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Como identificar a Dislalia?

Pais, professores e profissionais de saúde devem estar atentos a sinais como:

  • Fala “enrolada” ou de difícil compreensão após os 4 anos;
  • Troca frequente de sons específicos (como “r” por “l”);
  • Frustração da criança ao tentar se comunicar;
  • Dificuldade em acompanhar atividades escolares ligadas à leitura e escrita.

A avaliação clínica é feita pelo fonoaudiólogo, que analisa a articulação dos fonemas, investiga causas associadas e determina o tipo de dislalia.

Diagnóstico da Dislalia

A avaliação deve ser feita por um fonoaudiólogo, que irá:

  • Mapear os fonemas comprometidos.
  • Verificar se há causas auditivas ou neurológicas.
  • Diferenciar de outros distúrbios, como apraxia da fala, disartria ou gagueira.

Exames complementares com otorrinolaringologista e neurologista podem ser necessários em casos específicos.

Diagnóstico diferencial

É fundamental diferenciar a dislalia de outros transtornos da fala e da linguagem.

Dislalia x Outros distúrbios de fala

Distúrbio Característica Principal Diferença em relação à Dislalia
Dislalia Trocas, omissões ou distorções de sons sem causa neurológica grave Alteração localizada na articulação de fonemas
Disartria Dificuldade de articulação por problemas neuromusculares Associada a lesões neurológicas
Apraxia da Fala Dificuldade em planejar movimentos da fala Problema motor neurológico
Gagueira Alterações no ritmo e fluência da fala Não envolve troca de fonemas, mas repetições e bloqueios

Sinais de alerta por idade

É esperado que, até os 4 anos, a fala esteja relativamente estruturada. Procure avaliação se notar que a criança:

  • Troca ou omite sons com frequência.
  • Fala de forma difícil de compreender após os 4 anos.
  • Apresenta frustração ou isolamento ao tentar se comunicar.

Impactos da Dislalia

Se não tratada, a dislalia pode causar:

  • Dificuldades de alfabetização.
  • Problemas de socialização e autoestima.
  • Desempenho escolar abaixo do esperado.
  • Isolamento e estigmatização.

Tratamento da Dislalia

O tratamento depende do tipo e da causa, mas geralmente envolve:

Fonoaudiologia

  • Exercícios específicos para corrigir fonemas;
  • Atividades lúdicas que estimulam linguagem;
  • Treino de respiração, ritmo e entonação.

Abordagem multidisciplinar

  • Otorrinolaringologista – para avaliar causas auditivas;
  • Odontopediatra – em casos de alterações dentárias;
  • Neurologista – quando há condições neurológicas associadas;
  • Psicólogo – para apoio emocional.

Orientações para a família

  • Incentivar a fala correta sem repreensão;
  • Estimular a comunicação com conversas e leitura;
  • Evitar o prolongamento de hábitos prejudiciais (mamadeira, chupeta).

Importância do diagnóstico precoce

Quanto antes a dislalia for identificada, melhor o prognóstico. A intervenção precoce previne dificuldades escolares e sociais, permitindo que a criança desenvolva plenamente sua comunicação.

Prevenção e prognóstico

  • Estimular a comunicação desde cedo.
  • Evitar o uso prolongado de chupetas e mamadeiras.
  • Introduzir leitura e brincadeiras de linguagem na rotina.
  • Quanto mais precoce o diagnóstico, melhor o prognóstico e menor o tempo de tratamento.

Mitos e verdades sobre a Dislalia

“Dislalia passa sozinha.” – Nem sempre. Muitos casos persistem sem tratamento.
✔️ “Com intervenção fonoaudiológica precoce, é totalmente tratável.” – Verdade.
“Dislalia é o mesmo que gagueira.” – Não, são distúrbios diferentes.

Tópicos de interesse para médicos e profissionais

Embora a dislalia seja mais discutida em âmbito familiar e escolar, existem aspectos fundamentais que interessam diretamente aos profissionais de saúde:

Indicadores clínicos para encaminhamento precoce ao fonoaudiólogo

O diagnóstico precoce faz diferença no prognóstico. Entre os principais indicadores estão: atrasos persistentes na articulação de fonemas, trocas sonoras inadequadas para a idade e queixas recorrentes de professores e familiares.

Indicador Clínico Idade Esperada Conduta Recomendada
Trocas de fonemas persistentes > 4 anos Encaminhar ao fonoaudiólogo
Dificuldade em repetir palavras simples > 3 anos Avaliação auditiva + fono
Frases incompreensíveis em contexto > 5 anos Encaminhar para avaliação interdisciplinar

Protocolos e escalas para avaliação fonoaudiológica padronizada

Profissionais podem utilizar ferramentas como o ABFW – Teste de Linguagem Infantil e escalas internacionais para análise fonológica, auxiliando no acompanhamento objetivo da evolução do paciente.

Relação entre Dislalia e distúrbios auditivos

A avaliação auditiva deve ser parte essencial do protocolo diagnóstico, já que déficits de audição podem estar associados às dificuldades de articulação.

Avanços tecnológicos em terapias digitais

Softwares, aplicativos e jogos digitais têm se mostrado aliados no tratamento, aumentando o engajamento infantil e permitindo acompanhamento remoto em alguns casos.

Condutas em casos de Dislalia associada a síndromes genéticas

Pacientes com síndromes como Down ou Williams podem apresentar dislalia como sintoma associado. Nesses casos, recomenda-se uma abordagem interdisciplinar, envolvendo médicos, fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais.

Conclusão

A dislalia, ou transtorno fonológico, é um distúrbio de fala comum, mas que pode trazer grandes impactos se não tratado. O diagnóstico precoce, aliado à fonoaudiologia e ao apoio familiar, garante excelentes resultados. A telemedicina surge como aliada para ampliar o acesso ao cuidado especializado.

 

FAQ (Perguntas Frequentes)

 

O que significa Dislalia?

A dislalia é um transtorno da fala caracterizado por dificuldades na articulação de sons e fonemas, sem relação com problemas neurológicos ou auditivos.

Quais os sintomas da Dislalia?

Os principais sintomas incluem trocas de fonemas, omissão de sons em palavras, dificuldade em pronunciar determinados fonemas e fala de difícil compreensão para pessoas fora do convívio familiar.

Como diagnosticar Dislalia?

O diagnóstico é realizado por meio de avaliação fonoaudiológica, que analisa o desenvolvimento da fala, a articulação de fonemas e, em alguns casos, exames complementares para descartar causas auditivas ou neurológicas.

A dislalia tem cura?

Sim, especialmente quando diagnosticada cedo e tratada com fonoaudiologia.

Qual a diferença entre dislalia e atraso de fala?

Atraso é quando a criança demora a começar a falar; dislalia ocorre quando já fala, mas troca ou omite sons.

Quando procurar um fonoaudiólogo?

Se a criança tiver mais de 4 anos e ainda apresentar trocas frequentes de sons ou dificuldade para ser compreendida.

 

Redação

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