
Contrariamente ao que o nome sugere, o “chip da beleza” não é um dispositivo eletrônico, mas sim um pequeno implante hormonal, geralmente inserido sob a pele do abdômen ou glúteo. Este implante, na verdade um tubo de silicone, contém hormônios, principalmente a gestrinona, um esteróide sintético com efeitos androgênicos. O dispositivo libera continuamente esses hormônios na corrente sanguínea, prometendo uma série de efeitos estéticos e de bem-estar.
Os defensores do chip da beleza alegam diversos benefícios, incluindo perda de peso, aumento de massa muscular, melhora na disposição física, aumento da libido, redução de sintomas da menopausa e até mesmo combate ao envelhecimento. Essas promessas atraentes levaram muitas pessoas a buscarem o implante como uma solução rápida para suas preocupações estéticas.
O chip da beleza, também conhecido como implante hormonal, tem suas origens na década de 1980. Foi desenvolvido inicialmente pelo ginecologista brasileiro Elsimar Coutinho, que buscava uma alternativa para o tratamento da endometriose e contracepção. Coutinho, controversamente, também esteve envolvido em campanhas de esterilização em massa, o que levanta questões éticas sobre as origens do dispositivo.
O implante, contendo principalmente gestrinona, um hormônio sintético, foi inicialmente projetado para fins médicos. No entanto, seus efeitos colaterais, como perda de gordura e ganho de massa muscular, logo chamaram a atenção para usos estéticos. Esta transição de uso médico para estético ocorreu gradualmente, ganhando popularidade nos anos 2000 e 2010, especialmente entre celebridades e influenciadores.
Apesar das promessas tentadoras, o uso do chip da beleza está associado a uma série de riscos significativos à saúde. Usuários podem enfrentar problemas como elevação de colesterol e triglicerídeos, hipertensão arterial, e um risco aumentado de AVC e problemas cardíacos. Em mulheres, efeitos colaterais específicos incluem o crescimento excessivo de pelos (hirsutismo), queda de cabelo, acne severa, alterações na voz e até mesmo aumento do clitóris.
Além disso, o implante pode causar irregularidades menstruais, alterações de humor e comportamento, e potenciais danos hepáticos e renais. A gravidade desses riscos levou as autoridades de saúde a tomarem medidas drásticas.
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Embora o foco da discussão seja principalmente no Brasil, é importante notar que o uso de implantes hormonais para fins estéticos não é exclusivo do país. Em muitos lugares do mundo, práticas semelhantes são objeto de debate e regulamentação. Nos Estados Unidos, por exemplo, a Food and Drug Administration (FDA) não aprovou implantes hormonais para fins estéticos, mantendo uma postura similar à da Anvisa. Na Europa, as regulamentações variam entre os países, mas geralmente há uma abordagem cautelosa em relação a esses dispositivos.
Em outubro de 2024, a Anvisa tomou a decisão de proibir a manipulação, comercialização, propaganda e uso de implantes hormonais manipulados, incluindo o chip da beleza. Esta decisão foi baseada em vários fatores críticos:
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) tem sido uma voz ativa na discussão sobre o chip da beleza. Em resposta à recente resolução da Anvisa, a SBEM emitiu um posicionamento detalhado:
A proibição do chip da beleza tem implicações significativas:
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Com a proibição do chip da beleza, é importante destacar abordagens seguras e holísticas para objetivos estéticos e de bem-estar:
A prescrição do chip da beleza coloca os médicos em uma posição legalmente precária. Com a proibição pela Anvisa e o posicionamento do Conselho Federal de Medicina (CFM), os profissionais que prescrevem estes implantes podem enfrentar:
Os médicos devem estar cientes de que a prescrição destes implantes vai contra as diretrizes atuais e pode resultar em sérias consequências legais e profissionais.
Diante dos riscos associados ao chip da beleza, outras alternativas seguras e comprovadas devem ser consideradas para alcançar objetivos estéticos e de saúde. Uma abordagem holística, que inclui uma alimentação balanceada, prática regular de exercícios físicos e acompanhamento com profissionais de saúde qualificados, como nutricionistas e educadores físicos, é sempre recomendada.
A telemedicina pode desempenhar um papel importante nesse contexto, oferecendo consultas online com endocrinologistas para avaliação hormonal adequada, acompanhamento remoto de tratamentos hormonais legítimos e seguros e acesso facilitado a informações confiáveis sobre saúde e estética.
O caso do chip da beleza serve como um alerta importante sobre os perigos de buscar soluções rápidas e não regulamentadas para questões estéticas. É fundamental priorizar abordagens baseadas em evidências científicas e buscar orientação de profissionais de saúde qualificados.
A verdadeira beleza está intrinsecamente ligada à saúde, e não há atalhos seguros para alcançá-la. Lembre-se sempre: sua saúde deve vir em primeiro lugar. Antes de considerar qualquer tratamento hormonal ou estético, consulte um médico especialista e priorize métodos seguros e comprovados para atingir seus objetivos de bem-estar e estética.
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