A escolha correta da via de administração de medicamentos pode definir a eficácia do tratamento e a segurança do paciente. Neste guia, exploraremos as diversas vias de administração, suas aplicações e as inovações recentes neste campo.
No Brasil, a administração de medicamentos é regulamentada principalmente pela Lei nº 5.991/1973 e pela Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 44/2009 da ANVISA. Estas leis estabelecem normas sobre o controle sanitário do comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos. Além disso, a Resolução COFEN nº 564/2017 (Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem) aborda a responsabilidade dos enfermeiros na administração de medicamentos.
Como vimos anteriormente, a administração de medicamentos é regida por rigorosas regulamentações. É fundamental estar atualizado sobre:
Para minimizar erros, é imprescindível seguir os “cinco certos”: paciente certo, medicamento certo, dose certa, via certa e hora certa. É essencial implementar protocolos de segurança, promover educação contínua para os profissionais e utilizar sistemas de apoio à decisão clínica (como prontuários eletrônicos e ferramentas de verificação de interações medicamentosas).
Os erros mais comuns na administração de medicamentos estão relacionados à prescrição, falha na comunicação com o paciente e na administração em si. Infelizmente, assim como em qualquer área, todos estão sujeitos a errar, por isso esteja atento às seguintes situações para garantir a segurança dos pacientes:
O treinamento contínuo é essencial para garantir a competência na administração de medicamentos. Isso inclui:
As vias de administração de medicamentos são os métodos pelos quais um fármaco é introduzido no corpo humano. A seleção da via adequada depende de vários fatores, incluindo as propriedades do medicamento, a velocidade de ação desejada e a condição do paciente.
Vamos explorar as vias de administração mais usadas, suas vantagens e desvantagens:

Além destas, existem vias menos comuns como a pulmonar, nasal e retal, cada uma com suas indicações específicas.
A via de administração de medicamentos é uma decisão clínica crítica, primariamente definida pelo médico prescritor. No entanto, esta escolha é frequentemente resultado de uma colaboração entre a equipe de saúde, incluindo enfermeiros e farmacêuticos, que podem oferecer insights valiosos baseados em sua experiência.
Fatores importantes a se considerar na escolha da via de administração incluem:
Esta abordagem multifatorial e colaborativa visa otimizar a eficácia do tratamento e garantir a segurança do paciente.
Os enfermeiros desempenham um papel fundamental na administração de medicamentos, sendo responsáveis por uma série de tarefas essenciais para garantir a segurança e eficácia do tratamento. Isso inclui verificar a prescrição médica, preparar e administrar o medicamento de forma adequada, além de monitorar o paciente em busca de possíveis reações adversas.
Também cabe ao enfermeiro educar o paciente sobre o uso correto do medicamento e suas possíveis implicações, bem como documentar detalhadamente cada administração. A comunicação eficiente com a equipe médica é igualmente importante para reportar quaisquer problemas ou preocupações que possam surgir durante o processo de tratamento.
A dosagem máxima varia significativamente dependendo do medicamento específico e da condição do paciente. No entanto, algumas diretrizes gerais incluem:
É importante notar que estas são apenas diretrizes gerais e a dosagem máxima deve sempre ser determinada pelo médico prescritor, considerando o medicamento específico e a condição individual do paciente.
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A escolha da via de administração deve ser adaptada para populações específicas:
A administração de medicamentos está em constante evolução. A nanotecnologia, por exemplo, está permitindo o direcionamento preciso de fármacos para tecidos específicos, melhorando a eficácia e reduzindo efeitos colaterais. Paralelamente, novos dispositivos de inalação estão revolucionando a administração pulmonar, especialmente útil para condições respiratórias.
A telemedicina está transformando a orientação sobre administração de medicamentos. Através de consultas remotas, é possível ajustar dosagens, monitorar efeitos colaterais e educar pacientes sobre técnicas de auto-administração. Na Portal Telemedicina, oferecemos soluções que facilitam este acompanhamento à distância, garantindo a segurança e eficácia do tratamento.
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1. Via Oral
Mecanismo de ação:
O medicamento é absorvido no trato gastrointestinal (estômago e intestino) e entra na corrente sanguínea.
Indicações:
Medicamentos de uso diário (ex.: anti-hipertensivos, antidiabéticos).
Tratamentos de longo prazo (ex.: antidepressivos, suplementos).
Técnicas:
Comprimidos e cápsulas devem ser ingeridos com água.
Suspensões e xaropes devem ser agitados antes do uso.
Cuidados:
Evitar administração com alimentos gordurosos, que podem interferir na absorção.
Monitorar interações medicamentosas (ex.: antiácidos podem reduzir a eficácia de alguns fármacos).
Mecanismo de ação:
O medicamento é injetado diretamente na veia, atingindo a corrente sanguínea imediatamente.
Indicações:
Emergências médicas (ex.: anestésicos, antibióticos).
Medicamentos que não podem ser administrados por outras vias (ex.: quimioterápicos).
Técnicas:
Utilização de cateteres venosos ou agulhas.
Infusão contínua ou bolus (dose única).
Cuidados:
Monitorar sinais de infecção no local da injeção.
Verificar compatibilidade entre medicamentos antes da administração.
Mecanismo de ação:
O medicamento é injetado no músculo, onde é gradualmente absorvido pela corrente sanguínea.
Indicações:
Vacinas (ex.: antitetânica, hepatite B).
Medicamentos de ação prolongada (ex.: anticoncepcionais injetáveis).
Técnicas:
Locais comuns: deltoide, glúteo, vasto lateral da coxa.
Uso de agulhas de calibre adequado ao medicamento e ao paciente.
Cuidados:
Evitar injeções repetidas no mesmo local para prevenir lesões.
Aspirar antes de injetar para evitar administração intravascular acidental.
Mecanismo de ação:
O medicamento é injetado no tecido subcutâneo, onde é absorvido lentamente.
Indicações:
Insulina para diabéticos.
Anticoagulantes (ex.: heparina).
Técnicas:
Locais comuns: abdômen, coxa, braço.
Uso de agulhas curtas e finas.
Cuidados:
Rodar os locais de aplicação para evitar lipodistrofia.
Monitorar sinais de reação alérgica.
Mecanismo de ação:
O medicamento é inalado e atua diretamente no trato respiratório.
Indicações:
Asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
Anestésicos inalatórios.
Técnicas:
Uso de nebulizadores, inaladores dosimetrados ou dispositivos de pó seco.
Orientar o paciente sobre a técnica correta de inalação.
Cuidados:
Higienizar os dispositivos após o uso para evitar contaminação.
Monitorar efeitos colaterais como taquicardia ou tremores.
Mecanismo de ação:
O medicamento é aplicado diretamente na pele ou mucosas, com ação local ou sistêmica.
Indicações:
Dermatites, infecções cutâneas.
Analgésicos e anti-inflamatórios em cremes ou géis.
Técnicas:
Limpar a área antes da aplicação.
Massagear suavemente para facilitar a absorção.
Cuidados:
Evitar aplicação em feridas abertas ou áreas inflamadas.
Monitorar reações alérgicas ou irritação local.
Mecanismo de ação:
O medicamento é absorvido pela mucosa retal, com ação local ou sistêmica.
Indicações:
Náuseas e vômitos (ex.: supositórios de antieméticos).
Febre em crianças (ex.: supositórios de paracetamol).
Técnicas:
Introduzir o supositório com o paciente em decúbito lateral.
Manter o paciente deitado por alguns minutos após a aplicação.
Cuidados:
Evitar uso prolongado para prevenir irritação retal.
Verificar contraindicações (ex.: sangramento retal).
Mecanismo de ação:
O medicamento é injetado no osso, onde é absorvido pela medula óssea e entra na corrente sanguínea.
Indicações:
Emergências pediátricas ou em adultos quando o acesso venoso é difícil.
Reanimação cardiopulmonar (RCP).
Técnicas:
Locais comuns: tíbia proximal, úmero.
Uso de agulhas intraósseas específicas.
Cuidados:
Monitorar sinais de infecção ou extravasamento.
Remover o acesso intraósseo assim que o acesso venoso for estabelecido.
Mecanismo de ação:
O medicamento é absorvido pela pele, atingindo a corrente sanguínea de forma gradual.
Indicações:
Analgésicos (ex.: adesivos de fentanila).
Terapia hormonal (ex.: adesivos de estrogênio).
Técnicas:
Aplicar o adesivo em áreas limpas e secas, sem pelos.
Trocar o adesivo conforme orientação médica.
Cuidados:
Evitar aplicação em áreas irritadas ou lesionadas.
Monitorar efeitos colaterais sistêmicos.
A escolha e aplicação correta das vias de administração de medicamentos são fundamentais para o sucesso terapêutico. Com o avanço da tecnologia e da telemedicina, surgem novas possibilidades para tratamentos mais eficazes e personalizados.
Na Portal Telemedicina, estamos comprometidos em fornecer informações atualizadas e recursos para profissionais de saúde, garantindo que a administração de medicamentos seja realizada com máxima segurança e eficácia, mesmo em contextos de atendimento remoto.
Lembre-se: a administração de medicamentos é uma responsabilidade crítica que requer conhecimento, habilidade e atenção constante aos detalhes. Mantenha-se atualizado e sempre priorize a segurança do paciente.
A via intravenosa (IV) é geralmente considerada a mais rápida para a administração de medicamentos. Ao introduzir o medicamento diretamente na corrente sanguínea, a ação é quase imediata, tornando-a ideal para situações de emergência ou quando se necessita de efeitos rápidos.
Ao utilizar a via intravenosa, é essencial garantir a esterilidade do procedimento, verificar a compatibilidade do medicamento, monitorar cuidadosamente a velocidade de infusão, observar o paciente quanto a reações adversas imediatas e assegurar o posicionamento correto do cateter na veia. Estes cuidados são primordiais para a segurança do paciente e a eficácia do tratamento.
A escolha da via de administração pode impactar significativamente a dosagem necessária. Por exemplo, medicamentos administrados oralmente geralmente requerem doses maiores devido ao efeito de primeira passagem pelo fígado, enquanto doses menores são frequentemente suficientes para administração IV devido à biodisponibilidade completa.
A administração transdérmica oferece várias vantagens, incluindo a liberação constante e prolongada do medicamento, evitando o efeito de primeira passagem hepática. Ela também reduz a frequência de administração, pode diminuir efeitos colaterais gastrointestinais, é não invasiva e conveniente para o paciente. Esta via é muito utilizada para tratamentos de longo prazo e para pacientes que têm dificuldade com outras formas de administração.
A via subcutânea é preferida à intramuscular quando o paciente necessita de administração frequente de pequenos volumes, há risco de dano muscular ou nervoso com injeções intramusculares repetidas, o paciente tem pouca massa muscular, deseja-se uma absorção mais lenta e constante do medicamento ou quando o paciente precisa realizar auto-administração. Esta via oferece maior conforto e segurança em certas situações clínicas.
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