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Vias de administração de medicamentos: Um guia completo para profissionais de saúde

16 min. de leitura

A escolha correta da via de administração de medicamentos pode definir a eficácia do tratamento e a segurança do paciente. Neste guia, exploraremos as diversas vias de administração, suas aplicações e as inovações recentes neste campo.

Leis sobre as vias de administração de medicamentos

No Brasil, a administração de medicamentos é regulamentada principalmente pela Lei nº 5.991/1973 e pela Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 44/2009 da ANVISA. Estas leis estabelecem normas sobre o controle sanitário do comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos. Além disso, a Resolução COFEN nº 564/2017 (Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem) aborda a responsabilidade dos enfermeiros na administração de medicamentos.

Aspectos legais e segurança

Como vimos anteriormente, a administração de medicamentos é regida por rigorosas regulamentações. É fundamental estar atualizado sobre:

  • Prescrição eletrônica e suas implicações legais
  • Requisitos de documentação para diferentes vias
  • Normas específicas para medicamentos controlados

Para minimizar erros, é imprescindível seguir os “cinco certos”: paciente certo, medicamento certo, dose certa, via certa e hora certa. É essencial implementar protocolos de segurança, promover educação contínua para os profissionais e utilizar sistemas de apoio à decisão clínica (como prontuários eletrônicos e ferramentas de verificação de interações medicamentosas).

Os erros mais comuns na administração de medicamentos estão relacionados à prescrição, falha na comunicação com o paciente e na administração em si. Infelizmente, assim como em qualquer área, todos estão sujeitos a errar, por isso esteja atento às seguintes situações para garantir a segurança dos pacientes:

1. Erros na Prescrição

  • Erro de dosagem: A prescrição de uma dose incorreta, seja em excesso ou em falta, pode ter consequências graves para o paciente.
  • Escolha inadequada de medicamento: Em alguns casos, o médico pode prescrever um medicamento que não é apropriado para o quadro clínico do paciente ou uma classe terapêutica errada.
  • Interações medicamentosas: Ignorar interações entre medicamentos, que podem reduzir a eficácia de um fármaco ou causar efeitos adversos.
  • Falta de ajustes em pacientes com condições especiais: Não ajustar doses em pacientes com insuficiência renal, hepática ou idosos, que exigem cuidados especiais.
  • Erro na via de administração: Prescrição incorreta sobre a via (oral, intravenosa, intramuscular, etc.), o que pode comprometer a absorção ou eficácia do medicamento.

2. Erros de Comunicação

  • Comunicação inadequada com a equipe de saúde: Falta de clareza na comunicação da prescrição com outros profissionais de saúde (enfermeiros, farmacêuticos, etc.), levando a erros na administração.
  • Prescrição ilegível ou ambígua: A escrita ilegível ou a falta de especificidade nas ordens médicas pode levar a interpretações erradas, causando falhas no tratamento.
  • Falta de informações sobre o paciente: Deixar de fornecer informações relevantes sobre a condição do paciente, histórico médico ou alergias pode resultar em prescrição incorreta.

3. Erros na Administração

  • Administração em horários incorretos: A não observância dos horários recomendados para a administração de medicamentos pode afetar a eficácia do tratamento.
  • Administração incorreta da dose ou via: Medicamentos podem ser administrados de forma errada (como por via oral em vez de intravenosa), resultando em falhas terapêuticas ou complicações.
  • Errar na técnica de administração: Um exemplo é a aplicação inadequada de injeções ou a infusão intravenosa de forma incorreta.

4. Falta de Monitoramento Pós-Administração

  • Não observar reações adversas ou efeitos colaterais: Falha em monitorar o paciente após a administração do medicamento para detectar efeitos adversos precocemente.
  • Não ajustar tratamentos conforme resposta clínica: A falta de acompanhamento contínuo e ajuste do tratamento conforme a resposta do paciente pode levar a falhas no tratamento.

5. Falta de Educação do Paciente

  • Orientações inadequadas ao paciente: Não explicar corretamente ao paciente como tomar o medicamento, os horários, as doses e os possíveis efeitos colaterais, o que pode resultar em falhas na adesão ao tratamento.
  • Falta de instrução sobre interações alimentares: Não informar ao paciente sobre restrições alimentares ou de outros medicamentos que podem interferir com a eficácia do tratamento.

6. Uso de Medicamentos em Pacientes com Alergias Conhecidas

  • Prescrição de medicamentos a pacientes alérgicos: Ignorar ou desconhecer alergias previamente registradas pode levar a reações graves ou até fatais, como anafilaxia.

7. Uso de Medicamentos Descontinuados ou Fora de Validade

  • Prescrição de medicamentos desatualizados: Prescrever medicamentos que foram retirados do mercado ou cujos tratamentos foram revogados por questões de segurança.
  • Uso de medicamentos vencidos: Administração de medicamentos após o vencimento pode comprometer a eficácia ou até representar risco à saúde do paciente.

Capacitação contínua

O treinamento contínuo é essencial para garantir a competência na administração de medicamentos. Isso inclui:

  • Simulações práticas para vias de administração complexas
  • Atualizações sobre novas tecnologias e diretrizes
  • Programas de certificação em administração de medicamentos

Entendendo as vias de administração de medicamentos

As vias de administração de medicamentos são os métodos pelos quais um fármaco é introduzido no corpo humano. A seleção da via adequada depende de vários fatores, incluindo as propriedades do medicamento, a velocidade de ação desejada e a condição do paciente.

Principais vias de administração de medicamentos

Vamos explorar as vias de administração mais usadas, suas vantagens e desvantagens:


Além destas, existem vias menos comuns como a pulmonar, nasal e retal, cada uma com suas indicações específicas.

Quem define e como escolher a via de administração de medicamentos

A via de administração de medicamentos é uma decisão clínica crítica, primariamente definida pelo médico prescritor. No entanto, esta escolha é frequentemente resultado de uma colaboração entre a equipe de saúde, incluindo enfermeiros e farmacêuticos, que podem oferecer insights valiosos baseados em sua experiência.

Fatores importantes a se considerar na escolha da via de administração incluem:

  1. Condição do paciente: Idade, peso e estado de saúde geral.
  2. Tipo de medicamento: Propriedades físico-químicas e categoria do fármaco.
  3. Urgência do tratamento: Necessidade de ação rápida ou tratamento prolongado.
  4. Efeitos colaterais: Consideração dos riscos associados a cada via.
  5. Preferências do paciente: Aceitação e conforto com o método de administração.

Esta abordagem multifatorial e colaborativa visa otimizar a eficácia do tratamento e garantir a segurança do paciente.

Papel dos enfermeiros na administração de medicamentos

Os enfermeiros desempenham um papel fundamental na administração de medicamentos, sendo responsáveis por uma série de tarefas essenciais para garantir a segurança e eficácia do tratamento. Isso inclui verificar a prescrição médica, preparar e administrar o medicamento de forma adequada, além de monitorar o paciente em busca de possíveis reações adversas. 

Também cabe ao enfermeiro educar o paciente sobre o uso correto do medicamento e suas possíveis implicações, bem como documentar detalhadamente cada administração. A comunicação eficiente com a equipe médica é igualmente importante para reportar quaisquer problemas ou preocupações que possam surgir durante o processo de tratamento.

Dosagem máxima suportada por cada via de administração

A dosagem máxima varia significativamente dependendo do medicamento específico e da condição do paciente. No entanto, algumas diretrizes gerais incluem:

  • Via oral: Geralmente limitada pelo volume que pode ser ingerido confortavelmente.
  • Via intramuscular: Tipicamente limitada a 5 mL por local de injeção em adultos.
  • Via subcutânea: Geralmente limitada a 2 mL por local de injeção.
  • Via intravenosa: Varia amplamente, dependendo do medicamento e da velocidade de infusão.

É importante notar que estas são apenas diretrizes gerais e a dosagem máxima deve sempre ser determinada pelo médico prescritor, considerando o medicamento específico e a condição individual do paciente.

Leia também: Tudo sobre biotecnologia na saúde

Considerações especiais para diferentes grupos

A escolha da via de administração deve ser adaptada para populações específicas:

  • Idosos: Considerar alterações fisiológicas que afetam a farmacocinética.
  • Crianças: Adaptar as vias à idade e capacidade da criança, usando formulações pediátricas quando disponíveis.
  • Gestantes: Avaliar cuidadosamente os riscos e benefícios, evitando vias que possam afetar o desenvolvimento fetal.

Inovações e tendências

A administração de medicamentos está em constante evolução. A nanotecnologia, por exemplo, está permitindo o direcionamento preciso de fármacos para tecidos específicos, melhorando a eficácia e reduzindo efeitos colaterais. Paralelamente, novos dispositivos de inalação estão revolucionando a administração pulmonar, especialmente útil para condições respiratórias.

O Papel da telemedicina

A telemedicina está transformando a orientação sobre administração de medicamentos. Através de consultas remotas, é possível ajustar dosagens, monitorar efeitos colaterais e educar pacientes sobre técnicas de auto-administração. Na Portal Telemedicina, oferecemos soluções que facilitam este acompanhamento à distância, garantindo a segurança e eficácia do tratamento.

Veja mais: Conheça sobre a receita Tipo B1

9 Diferentes meios de administração de medicamentos

1. Via Oral

Mecanismo de ação:
O medicamento é absorvido no trato gastrointestinal (estômago e intestino) e entra na corrente sanguínea.

Indicações:

  • Medicamentos de uso diário (ex.: anti-hipertensivos, antidiabéticos).

  • Tratamentos de longo prazo (ex.: antidepressivos, suplementos).

Técnicas:

  • Comprimidos e cápsulas devem ser ingeridos com água.

  • Suspensões e xaropes devem ser agitados antes do uso.

Cuidados:

  • Evitar administração com alimentos gordurosos, que podem interferir na absorção.

  • Monitorar interações medicamentosas (ex.: antiácidos podem reduzir a eficácia de alguns fármacos).

2. Via Intravenosa (IV)

Mecanismo de ação:
O medicamento é injetado diretamente na veia, atingindo a corrente sanguínea imediatamente.

Indicações:

  • Emergências médicas (ex.: anestésicos, antibióticos).

  • Medicamentos que não podem ser administrados por outras vias (ex.: quimioterápicos).

Técnicas:

  • Utilização de cateteres venosos ou agulhas.

  • Infusão contínua ou bolus (dose única).

Cuidados:

  • Monitorar sinais de infecção no local da injeção.

  • Verificar compatibilidade entre medicamentos antes da administração.

3. Via Intramuscular (IM)

Mecanismo de ação:
O medicamento é injetado no músculo, onde é gradualmente absorvido pela corrente sanguínea.

Indicações:

  • Vacinas (ex.: antitetânica, hepatite B).

  • Medicamentos de ação prolongada (ex.: anticoncepcionais injetáveis).

Técnicas:

  • Locais comuns: deltoide, glúteo, vasto lateral da coxa.

  • Uso de agulhas de calibre adequado ao medicamento e ao paciente.

Cuidados:

  • Evitar injeções repetidas no mesmo local para prevenir lesões.

  • Aspirar antes de injetar para evitar administração intravascular acidental.

4. Via Subcutânea (SC)

Mecanismo de ação:
O medicamento é injetado no tecido subcutâneo, onde é absorvido lentamente.

Indicações:

  • Insulina para diabéticos.

  • Anticoagulantes (ex.: heparina).

Técnicas:

  • Locais comuns: abdômen, coxa, braço.

  • Uso de agulhas curtas e finas.

Cuidados:

  • Rodar os locais de aplicação para evitar lipodistrofia.

  • Monitorar sinais de reação alérgica.

5. Via Inalatória

Mecanismo de ação:
O medicamento é inalado e atua diretamente no trato respiratório.

Indicações:

  • Asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

  • Anestésicos inalatórios.

Técnicas:

  • Uso de nebulizadores, inaladores dosimetrados ou dispositivos de pó seco.

  • Orientar o paciente sobre a técnica correta de inalação.

Cuidados:

  • Higienizar os dispositivos após o uso para evitar contaminação.

  • Monitorar efeitos colaterais como taquicardia ou tremores.

6. Via Tópica

Mecanismo de ação:
O medicamento é aplicado diretamente na pele ou mucosas, com ação local ou sistêmica.

Indicações:

  • Dermatites, infecções cutâneas.

  • Analgésicos e anti-inflamatórios em cremes ou géis.

Técnicas:

  • Limpar a área antes da aplicação.

  • Massagear suavemente para facilitar a absorção.

Cuidados:

  • Evitar aplicação em feridas abertas ou áreas inflamadas.

  • Monitorar reações alérgicas ou irritação local.

7. Via Retal

Mecanismo de ação:
O medicamento é absorvido pela mucosa retal, com ação local ou sistêmica.

Indicações:

  • Náuseas e vômitos (ex.: supositórios de antieméticos).

  • Febre em crianças (ex.: supositórios de paracetamol).

Técnicas:

  • Introduzir o supositório com o paciente em decúbito lateral.

  • Manter o paciente deitado por alguns minutos após a aplicação.

Cuidados:

  • Evitar uso prolongado para prevenir irritação retal.

  • Verificar contraindicações (ex.: sangramento retal).

8. Via Intraóssea (IO)

Mecanismo de ação:
O medicamento é injetado no osso, onde é absorvido pela medula óssea e entra na corrente sanguínea.

Indicações:

  • Emergências pediátricas ou em adultos quando o acesso venoso é difícil.

  • Reanimação cardiopulmonar (RCP).

Técnicas:

  • Locais comuns: tíbia proximal, úmero.

  • Uso de agulhas intraósseas específicas.

Cuidados:

  • Monitorar sinais de infecção ou extravasamento.

  • Remover o acesso intraósseo assim que o acesso venoso for estabelecido.

9. Via Transdérmica

Mecanismo de ação:
O medicamento é absorvido pela pele, atingindo a corrente sanguínea de forma gradual.

Indicações:

  • Analgésicos (ex.: adesivos de fentanila).

  • Terapia hormonal (ex.: adesivos de estrogênio).

Técnicas:

  • Aplicar o adesivo em áreas limpas e secas, sem pelos.

  • Trocar o adesivo conforme orientação médica.

Cuidados:

  • Evitar aplicação em áreas irritadas ou lesionadas.

  • Monitorar efeitos colaterais sistêmicos.

Conclusão

A escolha e aplicação correta das vias de administração de medicamentos são fundamentais para o sucesso terapêutico. Com o avanço da tecnologia e da telemedicina, surgem novas possibilidades para tratamentos mais eficazes e personalizados.

Na Portal Telemedicina, estamos comprometidos em fornecer informações atualizadas e recursos para profissionais de saúde, garantindo que a administração de medicamentos seja realizada com máxima segurança e eficácia, mesmo em contextos de atendimento remoto.

Lembre-se: a administração de medicamentos é uma responsabilidade crítica que requer conhecimento, habilidade e atenção constante aos detalhes. Mantenha-se atualizado e sempre priorize a segurança do paciente.

Perguntas Frequentes (FAQ)

 

Qual é a via de administração mais rápida?

A via intravenosa (IV) é geralmente considerada a mais rápida para a administração de medicamentos. Ao introduzir o medicamento diretamente na corrente sanguínea, a ação é quase imediata, tornando-a ideal para situações de emergência ou quando se necessita de efeitos rápidos.

Quais são os cuidados ao usar a via intravenosa?

Ao utilizar a via intravenosa, é essencial garantir a esterilidade do procedimento, verificar a compatibilidade do medicamento, monitorar cuidadosamente a velocidade de infusão, observar o paciente quanto a reações adversas imediatas e assegurar o posicionamento correto do cateter na veia. Estes cuidados são primordiais para a segurança do paciente e a eficácia do tratamento.

Como a escolha da via de administração afeta a dosagem do medicamento?

A escolha da via de administração pode impactar significativamente a dosagem necessária. Por exemplo, medicamentos administrados oralmente geralmente requerem doses maiores devido ao efeito de primeira passagem pelo fígado, enquanto doses menores são frequentemente suficientes para administração IV devido à biodisponibilidade completa.

Quais são as vantagens da administração transdérmica de medicamentos?

A administração transdérmica oferece várias vantagens, incluindo a liberação constante e prolongada do medicamento, evitando o efeito de primeira passagem hepática. Ela também reduz a frequência de administração, pode diminuir efeitos colaterais gastrointestinais, é não invasiva e conveniente para o paciente. Esta via é muito utilizada para tratamentos de longo prazo e para pacientes que têm dificuldade com outras formas de administração.

Em que situações a via subcutânea é preferível à intramuscular?

A via subcutânea é preferida à intramuscular quando o paciente necessita de administração frequente de pequenos volumes, há risco de dano muscular ou nervoso com injeções intramusculares repetidas, o paciente tem pouca massa muscular, deseja-se uma absorção mais lenta e constante do medicamento ou quando o paciente precisa realizar auto-administração. Esta via oferece maior conforto e segurança em certas situações clínicas.

Redação

Redação é o time de especialistas em conteúdo da Portal Telemedicina, responsável por criar e compartilhar informações atualizadas e relevantes sobre tecnologia em saúde, telemedicina e inovações no setor.

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