
O debate sobre atendimento humanizado tem ganhado força à medida que novas tecnologias são implementadas na área da saúde. Procedimentos técnicos padronizados e automatizados, além de estruturas hospitalares maiores e mais complexas, contribuem para a ideia de que as inovações tornam a relação médico-paciente mais fria.
Mas a questão possui outro lado. Quando procedimentos burocráticos ou repetitivos são realizados por ferramentas digitais e com o apoio de inteligência artificial, médicos e outros profissionais de saúde podem dedicar mais tempo ao atendimento e tratamento de seus pacientes.
Neste artigo, vamos falar sobre o atendimento humanizado e como a tecnologia pode melhorar a anamnese durante as consultas e garantir mais tempo para que profissionais de saúde cuidem das pessoas com atenção e empatia.
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O atendimento humanizado acontece quando todos profissionais de uma equipe de saúde entendem o paciente como um indivíduo com personalidade e necessidades particulares. A ideia é estabelecer um diálogo individualizado com o paciente desde o momento da investigação da doença até a prescrição e realização do tratamento.
Por isso, o tratamento humanizado pressupõe a união entre a qualidade do tratamento técnico e a qualidade do relacionamento que se desenvolve entre paciente, familiares e equipe. Esse elo é fundamental para que o paciente confie no médico e cumpra as orientações que este prescrever, especialmente em casos mais graves.
De modo geral, são características do atendimento humanizado:
O nível de atenção às necessidades do paciente tem um impacto direto em como ele julga a aptidão de médicos, enfermeiros e demais profissionais. Neste contexto, também é preciso considerar as condições de trabalho as quais os profissionais são submetidos. Ou seja, para promover o atendimento humanizado em hospitais e clínicas é preciso valorizar tanto a dignidade do paciente quanto de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem.
Além das mudanças na cultura de atenção aos pacientes, o Ministério da Saúde, dentro das diretrizes do programa HumanizaSUS, estabelece que a humanização da assistência vai além: há corresponsabilidade entre instituições e profissionais na promoção de saúde e na gestão dos processos de trabalho, incluindo a estrutura que vai possibilitar todos estes cuidados.
Dessa forma, vale ressaltar que a gestão do hospital, público ou privado, deve levar em conta a pressão da profissão, alta carga horária, atividades com alto nível de estresse e outras situações cotidianas, que podem gerar cansaço e baixa motivação. Também é necessário estar atento à estrutura oferecida, que deve contar com equipamentos e fluxos de trabalho que facilitem a rotina de atendimento.
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Quando falamos em estrutura para atender com qualidade, podemos citar desde bons equipamentos até a automatização de processos de gestão. Estes e muitos outros procedimentos podem contar com a tecnologia para mais precisão e eficiência.
Em relação aos equipamentos, boa parte já presta um suporte significativo ao médico e sua equipe. Entre eles estão os aparelhos de endoscopia, colonoscopia e cateterismo, que apontam anomalias, mas também já são capazes de retirar nódulos ou desobstruir artérias de forma menos invasiva que há poucos anos.
Entretanto, algumas inovações em saúde digital buscam revolucionar a medicina como conhecemos. Elas estão nas mais diversas áreas da saúde, como diagnósticos, tratamentos, pesquisas, indústria farmacêutica e até a introdução da robótica em alguns exames e procedimentos cirúrgicos. É a chamada medicina do futuro, que hoje utiliza a evolução do conhecimento médico juntamente com o desenvolvimento e domínio das tecnologias de ponta.
A internet das coisas (IoT) e o uso da Inteligência Artificial são algumas das tecnologias mais transformadoras. Com uma série de equipamentos interligados e conectados, e computadores capazes de armazenar e processar um enorme repertório de dados, hoje é possível buscar respostas e tratamentos para doenças de uma forma muito mais rápida do que qualquer mente humana seria capaz.
Estas tecnologias são essenciais para garantir um atendimento humanizado, mantendo a concentração e o foco do médico mais no paciente e menos na manipulação de dados e informações que podem ser feitos por computadores.
A telemedicina é, de forma ampla, uma das grandes inovações no setor da saúde. As atividades englobadas no conceito de telemedicina facilitam, por exemplo, a troca de informações entre médicos e a análise de resultados de exames.
Um dos pontos fortes da telemedicina atualmente é a emissão de laudos à distância. Por meio de uma plataforma online, o exame pode ser realizado em clínicas, consultórios ou hospitais de qualquer cidade e analisado por médicos especialistas via internet. Os exames são entregues de forma digital, dando apoio para a medicina tradicional. O laudo online pode ser feito para várias especialidades médicas, em exames como ECG, EEG, mamografia, Raio-X, tomografia e muitos outros.
Em exames transmitidos via telemedicina é possível usar as soluções de IoT para conectar aparelhos analógicos à plataforma e enviar os exames diretamente, sem precisar de digitalizações os uploads manuais. Já a Inteligência Artificial e o aprendizado das máquinas auxiliam na triagem dos exames, colocando as urgências em primeiro lugar da fila de análise, e no suporte aos médicos para detecção de doenças.
Além disso, soluções de IA também podem informar quase que imediatamente se a qualidade do exame está comprometida e se ele precisará ser refeito. Isso é especialmente útil, já que o médico não “perde tempo” com um exame que não vai fornecer informações relevantes, além de evitar a reconvocação de pacientes para repetir o procedimento.
Estas facilidades trazidas pela tecnologia, como já apontamos, ajudam na rotina e na organização do trabalho nas instituições de saúde. Com a telemedicina, por exemplo, a equipe de médicos especialistas que seria destinada apenas a laudar exames, pode ser aproveitada no atendimento. A equipe assim ganha o reforço de especialistas, que podem dar suporte e atenuar o número de consultas diárias feitas por cada profissional. Com mais tempo para dedicar a cada paciente, estes profissionais certamente poderão prestar um atendimento humanizado. Basta que a gestão da clínica ou do hospital equilibre o papel do médico com as ferramentas de suporte que a tecnologia nos oferece.
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