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Telemedicina no Brasil: conheça a história e principais marcos

10 min. de leitura

Radiografia em computador. História da telemedicina no brasil

Apesar de ter se popularizado apenas nos últimos anos, o primeiro relato do uso da telemedicina é bem mais antigo do que se pensa.  Durante a Idade Média, na Europa, em um período que as pragas assolaram o continente, há relatos de que um médico isolou-se  na  margem oposta do rio para se proteger da contaminação e, de lá, comunicava-se verbalmente com um agente comunitário in loco, o qual auxiliava a população. O agente descrevia os sintomas e a evolução da doença ao médico e desse recebia orientações sobre a conduta a ser tomada. 

Com o passar dos séculos muitas evoluções ocorreram, o que permitiu um grande avanço e disseminação da prática da telemedicina. O próprio estetoscópio eletrônico, criado em 1910 por S. G. Brown, em Londres, pode ser considerado um marco da telemedicina ao permitir a transmissão de sinais por cerca de 80 km, de acordo com o estudo “História da evolução da telemedicina no mundo, no Brasil e no Rio Grande do Sul”.

No século XIX, a invenção do telégrafo impulsionou a medicina à distância, sendo empregada, entre outros, para transmitir os laudos de exames de radiografia entre diferentes lugares. Assim como sistemas de rádio, TV e celulares, a cada invenção foram surgindo novas aplicações e desafios que contribuíram para que a telemedicina no Brasil e no mundo fosse ganhando cada vez mais espaço, em cada região com suas peculiaridades.

Neste artigo apresentaremos um breve histórico de como surgiu a telemedicina no Brasil, sua evolução e principais desafios enfrentados. 

A história da telemedicina no Brasil: principais marcos

O desenvolvimento efetivo da telemedicina no Brasil iniciou na década de 1990, a partir da iniciativa privada. Um início tardio se compararmos a países como os Estados Unidos, por exemplo, que em 1967 criou seu primeiro sistema completo e interativo de telemedicina (com provedores de saúde médicos e “não-médicos”) em Boston. Somente a partir dos anos 2000, com iniciativas do poder público é que a evolução da telessaúde ganhou força em nosso país.

As iniciativas para a implementação da telemedicina no Brasil se deram pela necessidade de melhoria e fortalecimento da Atenção Primária à Saúde – APS, conforme o artigo A telessaúde como estratégia de resposta do Estado: revisão sistemática. Dentre essas iniciativas se destacam a teleconsultoria gratuita para médicos de todo país para discussão de casos clínicos, com ações de telediagnóstico e tele-educação, e importantes projetos como o Projeto de Telemedicina “Estação  Digital  Médica”  (EDM-Milênio) iniciado em 2005. 

A seguir você pode conferir uma linha do tempo com os principais avanços da telemedicina no Brasil:

Principais desafios da telemedicina no Brasil

Um dos desafios centrais da telemedicina no Brasil está relacionado à infraestrutura e à tecnologia para chegar até áreas remotas. Apesar do propósito da atividade ser justamente a possibilidade de atendimento a distância, existem regiões com dificuldade de se estabelecer uma comunicação remota. Além disso, para algumas modalidades como a teleconsulta, é necessário um conhecimento e familiaridade mínimos da população com a tecnologia que será utilizada para efetivar o atendimento médico.

Outro desafio diz respeito à própria regulamentação. O CFM aponta que o teleatendimento não deve ser considerado como regra, no entanto, pode ser utilizado em complemento ao atendimento presencial. Essa pode ser uma barreira para o reconhecimento da telemedicina como uma prática segura e confiável pela comunidade.

Outro desafio não é exclusivo da telemedicina: a segurança das informações e capacidade de armazenamento de dados. Com a criação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), empresas tiveram que se adaptar para oferecer maior transparência e segurança ao manusear dados dos clientes. A telemedicina no Brasil não foi diferente. Médicos e instituições de saúde devem seguir à risca o que diz a legislação e utilizar sistemas que garantam a segurança das informações de seus pacientes.

Quanto ao armazenamento de dados, a Lei 13.787 exige que as informações de saúde sejam preservadas por um período mínimo de 20 anos. Com o surgimento e utilização em massa de novas tecnologias, estamos produzindo e armazenando cada vez mais dados, o que exige uma infraestrutura robusta de data centers para atender a essa demanda. Assim como ocorre com outros serviços, a alta demanda tende a elevar o custo.

Com essa demanda provocada não somente pela telemedicina, o Brasil tem atraído olhares de grandes empresas interessadas em investir na construção de data centers. Com isso, o serviço de armazenamento de dados tende a reduzir esse custo com o passar dos anos.

Leia também: Regulamentação da telemedicina: saiba o que mudou com a nova resolução do CFM

Oportunidades e perspectivas para o futuro

A emergência de saúde provocada pela COVID-19 trouxe um cenário propício que acelerou o ritmo de utilização da telemedicina no Brasil e no mundo. A necessidade de isolamento das pessoas contaminadas fez com que o CFM regulamentasse em 2020 o uso da teleconsulta em caráter emergencial. Em abril de 2022, o Conselho regulamentou em definitivo o uso da telemedicina no Brasil, incluindo a teleconsulta como uma de suas modalidades. Em dezembro do mesmo ano o Governo Federal sancionou a lei da telessaúde, que instituiu e regulamentou a telemedicina em todo o território nacional, ampliando sua atuação para demais áreas da saúde, não somente a medicina.

A pandemia também trouxe outras oportunidades de pesquisa e inovação na área da saúde digital. Aqui, na Portal Telemedicina, por exemplo, foi desenvolvido um modelo de algoritmo que atua no suporte diagnóstico detectando indícios de coronavírus em Raios-X e Tomografias. A inteligência artificial faz uma varredura nos exames, avalia se estão “normais” ou “alterados”, encontra e diferencia alterações relacionadas à Covid-19 e pneumonia, podendo sinalizar para os médicos os casos que são suspeitos. Esse tipo de tecnologia permite iniciar com agilidade os protocolos de cuidados assistenciais ao paciente com suspeita da doença e complicações.

Para o futuro, acredita-se que a tecnologia vai estar cada vez mais presente nessa área, agindo como um suporte para dar mais assertividade ao trabalho dos profissionais de saúde. Sua atuação tem o objetivo de gerar dados qualificados através de inteligência artificial, agilizando processos, aumentando a precisão das ações e, consequentemente, reduzindo as falhas humanas.

Conclusão

A telemedicina no Brasil deixou de ser apenas uma tendência para se consolidar como parte essencial da assistência em saúde. Desde os primeiros passos regulatórios até a ampla utilização atual, seu impacto é visível na redução de barreiras geográficas, no acesso mais rápido a especialistas e na modernização do cuidado médico. Com os avanços tecnológicos e novas regulamentações, o futuro da telemedicina no país promete ainda mais integração, eficiência e qualidade no atendimento aos pacientes.

Perguntas Frequentes (FAQ)

O que é telemedicina no Brasil?

A telemedicina no Brasil é a prática médica realizada a distância, com apoio de tecnologias digitais, permitindo consultas, laudos, monitoramentos e até terapias sem necessidade de deslocamento do paciente ou do médico. Ela é regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pelo Ministério da Saúde.

Quando surgiu a telemedicina no Brasil?

A telemedicina começou a ser estruturada no Brasil no início dos anos 2000, com a Resolução CFM nº 1.643/2002. Entretanto, o uso se expandiu de forma acelerada durante a pandemia de COVID-19, quando a Lei nº 13.989/2020 autorizou sua prática em caráter emergencial.

Como funciona a telemedicina no Brasil?

Na prática, a telemedicina funciona por meio de plataformas digitais seguras que permitem a realização de teleconsultas, emissão de laudos, prescrição de receitas digitais, monitoramento remoto e integração com prontuários eletrônicos. Todos os atendimentos seguem normas éticas e de segurança, incluindo a proteção de dados conforme a LGPD.

Como está a telemedicina no Brasil?

Atualmente, a telemedicina no Brasil está em plena expansão. Hospitais, clínicas, planos de saúde e o SUS já utilizam recursos digitais para ampliar o acesso aos cuidados de saúde. A tecnologia tem reduzido desigualdades regionais, facilitado diagnósticos rápidos e promovido inovação com inteligência artificial e dispositivos conectados.

Referências

Domingues, Daniela & Martinez, Israel & Cardoso, Ricardo Bertoglio & Oliveira, Helena & Russomano, Thais. (2014). História da evolução da telemedicina no mundo, no Brasil e no Rio Grande do Sul.

Celes RS, Rossi TRA, de Barros SG, Santos CML, Cardoso C. A telessaúde como estratégia de resposta do Estado: revisão sistemática. Rev Panam Salud Publica. 2018

Geysa Xavier

Administradora e especialista em inovação com ampla experiência em estratégia para os setores de saúde e tecnologia. Atua como coordenadora de marketing na Portal Telemedicina.

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