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Vício em aposta: Entenda os sintomas, consequências e o papel da telemedicina no tratamento

8 min. de leitura

O vício em aposta, também chamado de ludopatia ou transtorno do jogo, é uma condição reconhecida pela medicina e classificada pela CID-11 (6C50) como um transtorno do controle dos impulsos. Com o crescimento das plataformas digitais de apostas esportivas e cassinos online, esse problema ganhou proporções alarmantes no Brasil.

Neste post, você vai entender:

  • O que caracteriza o vício em apostas;
  • Quais são os sintomas e como identificar;
  • Quais são os impactos na saúde mental e na vida social;
  • Como a telemedicina oferece apoio psicológico e psiquiátrico acessível e humanizado

O que é o vício em aposta?

O vício em aposta é um transtorno comportamental caracterizado pela dificuldade ou incapacidade de resistir ao impulso de apostar, mesmo que isso traga prejuízos financeiros, sociais ou emocionais.

O cérebro do apostador compulsivo responde às apostas como se estivesse diante de uma substância viciante. Durante o jogo, há uma liberação intensa de dopamina, neurotransmissor relacionado ao prazer. Com o tempo, o cérebro exige estímulos cada vez maiores, levando à escalada progressiva das apostas.

O que causa a dependência por jogos?

Diversos fatores contribuem para o desenvolvimento da ludopatia:

  • Predisposição genética e histórico familiar de vícios
  • Transtornos psiquiátricos associados (TDAH, depressão, bipolaridade)
  • Exposição precoce a jogos de azar
  • Facilidade de acesso a sites e aplicativos de apostas
  • Campanhas de marketing com gatilhos psicológicos poderosos

Estudos indicam que a ativação do sistema de recompensa causada pelas apostas pode ser comparável – e até mais intensa – do que a induzida por drogas como cocaína.


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Legislação brasileira sobre apostas

Desde 2018, o Brasil legalizou as apostas de quota fixa em eventos esportivos por meio da Lei 13.756/2018. A regulamentação prática chegou apenas em 2023, com a Lei 14.790/2023, que estabeleceu diretrizes como:

  • Proibição de menores de 18 anos
  • Obrigatoriedade de verificação de identidade dos usuários
  • Regras de proteção de dados e combate à lavagem de dinheiro
  • Exigência de licença do Ministério da Fazenda para operação legal

Essas medidas visam oferecer maior segurança ao consumidor e coibir práticas abusivas no mercado das “bets”.

senhor de cabeça baixa e triste com máquinas de caça-níqueis ao fundo

Sintomas do vício em apostas: Sinais de alerta

Você pode estar lidando com a ludopatia se identificar os seguintes sinais (baseados no DSM-5):

  • Necessidade crescente de apostar valores maiores para sentir a mesma emoção
  • Mentiras frequentes para esconder o tempo ou dinheiro gastos
  • Irritação, ansiedade ou insônia quando tenta parar
  • Repetidas tentativas frustradas de abandonar o jogo
  • Comprometimento da vida profissional, familiar ou social
  • Apostar para escapar de problemas emocionais
  • Solicitação de ajuda financeira para cobrir dívidas relacionadas ao jogo

Se quatro ou mais desses sintomas persistirem por um período superior a 12 meses, o diagnóstico de ludopatia pode ser confirmado por um profissional de saúde mental.

Impactos do vício em aposta na vida do paciente

Além do prejuízo financeiro, a ludopatia pode desencadear sérias consequências:

1. Transtornos mentais associados

Estudos apontam que jogadores compulsivos tendem a desenvolver depressão ou ansiedade. A sensação de culpa e fracasso também é comum.

2. Conflitos familiares e isolamento

A mentira, o estresse e o descontrole financeiro causam desgaste emocional, separações e afastamento de entes queridos.

3. Risco aumentado de suicídio

O desespero diante das dívidas e da perda de controle pode levar a pensamentos suicidas. É fundamental tratar a ludopatia com a seriedade que ela exige.

Por que o cérebro fica viciado em apostas?

Assim como drogas e álcool, as apostas ativam o sistema de recompensa cerebral. A dopamina liberada durante vitórias (ou mesmo na expectativa delas) gera euforia, criando dependência. Estudos mostram que a fissura por apostas pode ser mais intensa do que a por cocaína.

Fatores de risco:

  • Predisposição genética.
  • Transtornos psiquiátricos prévios (TDAH, depressão).
  • Exposição precoce a jogos de azar.
  • Acesso facilitado a apps de apostas.

Consequências do vício em apostas

Além das dívidas, o transtorno do jogo desencadeia:

  • Problemas de saúde mental: 60% dos jogadores compulsivos desenvolvem depressão ou ansiedade (Anahp).
  • Ruptura de relacionamentos: Conflitos familiares e divórcios são comuns.
  • Risco de suicídio: Perdas financeiras extremas levam a crises emocionais graves.

Como saber se você está viciado em apostas?

Reconhecer o vício em apostas é fundamental para buscar ajuda. O transtorno, também chamado de ludopatia, é diagnosticado quando a pessoa apresenta pelo menos quatro dos critérios listados pela Associação Americana de Psiquiatria e pelo DSM-5, durante pelo menos 12 meses.

Principais sinais de alerta incluem:

  • Necessidade de aumentar o valor das apostas para sentir a mesma excitação.
  • Irritação ou ansiedade ao tentar parar de apostar.
  • Pensamentos constantes sobre apostas, planejando ou relembrando jogos.
  • Mentir para familiares e amigos sobre o tempo ou dinheiro gasto.
  • Perda de controle, com tentativas frustradas de parar ou reduzir as apostas.
  • Apostar para escapar de problemas emocionais ou recuperar prejuízos (“perseguir perdas”).
  • Negligenciar responsabilidades pessoais, profissionais ou sociais por causa do jogo.
  • Buscar apoio financeiro de terceiros para cobrir dívidas de apostas.

Se você se identificou com quatro ou mais desses sinais, é recomendado procurar avaliação profissional. O vício em apostas pode variar de leve a grave e tende a piorar sem tratamento adequado.

Como a telemedicina ajuda no tratamento do vício em apostas?

A telemedicina surge como uma solução acessível, discreta e eficaz para o tratamento da ludopatia. Veja como ela atua em diferentes frentes:

1. Psicoterapia online especializada

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é considerada o tratamento mais eficaz para vícios comportamentais. Na telemedicina, o paciente pode:

  • Identificar gatilhos emocionais
  • Desenvolver estratégias de controle dos impulsos
  • Reestruturar hábitos e crenças nocivas

2. Acompanhamento psiquiátrico remoto

Muitos casos exigem intervenção medicamentosa, especialmente quando há comorbidades como ansiedade ou depressão. Através de consultas online, é possível receber prescrição e monitoramento adequado.

3. Apoio contínuo via grupos e tecnologia

Ferramentas complementares ajudam no processo de recuperação:

  • Aplicativos de bloqueio de sites de apostas (ex: Betblocker, Gamban)
  • Grupos de apoio virtuais, como Jogadores Anônimos Online
  • Alertas digitais de controle de tempo e gastos

Como familiares podem ajudar?

O apoio da família é essencial no processo de superação. Se você suspeita que alguém está enfrentando esse problema:

  • Observe mudanças bruscas de comportamento
  • Evite julgamentos: ofereça escuta e empatia
  • Estimule a busca por ajuda profissional
  • Nunca cubra dívidas de jogo — isso reforça o comportamento compulsivo

Conclusão: ajuda especializada está ao seu alcance

O vício em apostas é um transtorno real e tratável. Negar o problema apenas prolonga o sofrimento. A boa notícia é que o apoio necessário está a poucos cliques de distância.

Redação

Redação é o time de especialistas em conteúdo da Portal Telemedicina, responsável por criar e compartilhar informações atualizadas e relevantes sobre tecnologia em saúde, telemedicina e inovações no setor.

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