Gestão de Clínicas e Hospitais

RDC 611 (Anvisa): o que é, requisitos para radiologia e checklist prático de adequação (inclui telerradiologia)

8 min. de leitura

médico na mesa de consultório médico

O que é a RDC 611 da Anvisa?

A RDC 611 é uma resolução da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)  que estabelece os requisitos sanitários para o funcionamento de serviços de radiologia diagnóstica e intervencionista, incluindo gestão do serviço, garantia da qualidade, proteção radiológica, controle de tecnologias, documentação, rastreabilidade e operações com telerradiologia.

Na prática, a RDC 611 define como o serviço deve ser organizado, operado e auditado, indo muito além do equipamento: ela exige processos, pessoas, registros e melhoria contínua.

RDC 611 em resumo (para gestores e RTs)

  • Norma sanitária da Anvisa para serviços de radiologia
  • Aplica-se a clínicas, hospitais e operações com laudo remoto
  • Exige governança formal, Programa de Garantia da Qualidade (PGQ) e evidências
  • Impacta diretamente telerradiologia, PACS, RIS e estações de laudo
  • Auditorias focam menos em “intenção” e mais em registro e rastreabilidade

Para quem a RDC 611 se aplica

A RDC 611 se aplica a serviços que realizam:

  • Radiologia diagnóstica (ex.: raios X, tomografia, mamografia, conforme escopo)
  • Radiologia intervencionista
  • Telerradiologia e laudos remotos, quando há transmissão de imagens e estações externas

Mesmo que o laudo seja terceirizado, a responsabilidade sanitária pelo serviço permanece com a instituição.

O que a RDC 611 exige na prática: visão estruturada

Tabela: Pilares da RDC 611 e o que o auditor espera ver

Pilar

O que a norma exige Evidências esperadas
Governança Papéis e responsabilidades definidos

RT formalizado, POPs, atas, RACI

Qualidade

Programa estruturado e contínuo PGQ ativo, registros mensais
Tecnologia Controle do ciclo de vida

Inventário, manutenções, testes

Proteção radiológica

Redução de risco e repetição Protocolos, treinamentos
Registros Rastreabilidade e auditoria

Logs, formulários, histórico

Telerradiologia

Equivalência técnica e segurança

Estações padronizadas, controle de acesso

Essa visão integrada é o que diferencia conformidade real de “checklist de gaveta”.

1) Governança do serviço: base da conformidade

A RDC 611 exige que o serviço opere com gestão formal, não improvisada.

Na prática, isso significa:

  • Responsável Técnico (RT) formalizado
  • Papéis claros entre operação, qualidade, TI e engenharia clínica
  • POPs para processos críticos
  • Rotina de revisão, auditoria e melhoria

Auditor pergunta: “Quem responde por isso?” e você precisa mostrar.

2) Programa de Garantia da Qualidade (PGQ): o coração da RDC 611

O PGQ é o principal ponto de não conformidade quando mal estruturado.

Um PGQ efetivo inclui:

  • Controle da qualidade de imagem (aceitação e constância)
  • Gestão de equipamentos e acessórios
  • Registro e análise de incidentes
  • Treinamento e capacitação da equipe
  • Documentação organizada e rastreável

Importante: o PGQ precisa gerar registros periódicos, não apenas existir no papel.

3) Gestão de tecnologias: não é só o equipamento

A RDC 611 deixa claro que “tecnologia” inclui toda a cadeia digital.

Isso envolve:

  • Inventário completo de equipamentos
  • Manutenção preventiva e corretiva documentada
  • Testes de aceitação e constância (quando aplicável)
  • Controle de versões de software (PACS, RIS, visualizadores)
  • Registro de atualizações e validações

Falhas em PACS/RIS também são falhas sanitárias quando impactam o serviço.

4) Proteção radiológica como processo contínuo

A norma reforça a otimização da dose e a redução de repetição.

Boas práticas exigidas:

  • Protocolos técnicos padronizados
  • Treinamento recorrente da equipe
  • Monitoramento de causas de repetição
  • Ações corretivas documentadas

Proteção radiológica, aqui, é gestão de risco, não apenas física médica.

Leia mais: Tecnologia em radiologia

5) Registros, rastreabilidade e prontidão para auditoria

Na auditoria, a pergunta central é:

“Você pode provar que faz?”

Você precisa manter:

  • POPs versionados
  • Registros de qualidade e manutenção
  • Evidências de treinamento
  • Logs de acesso a sistemas
  • Histórico de incidentes e ações corretivas

Sem evidência, não existe conformidade.

Telerradiologia na RDC 611: pontos críticos de atenção

A RDC 611 trata a telerradiologia como parte integrante do serviço, não como exceção.

O que gestores precisam garantir

1) Estações remotas equivalentes

  • Monitores adequados ao tipo de exame
  • Ambiente controlado
  • Padronização entre radiologistas

2) Segurança da informação

  • Perfis de acesso definidos
  • Logs de acesso
  • Proteção dos dados em trânsito e repouso

3) Continuidade do cuidado

  • Acesso a informações clínicas relevantes
  • Disponibilidade de exames anteriores, quando existentes

4) Processos claros

  • Onde o consentimento é registrado
  • Como o dado circula
  • Quem é responsável por cada etapa

Checklist prático de adequação à RDC 611 (30–60 dias)

Estrutura e governança

  • RT formalizado
  • Matriz de responsabilidades documentada
  • POPs críticos revisados

Qualidade (PGQ)

  • PGQ aprovado e ativo
  • Cronograma de testes e revisões
  • Indicadores monitorados

Tecnologia

  • Inventário atualizado
  • Manutenção preventiva em dia
  • Controle de software e estações

Telerradiologia (se aplicável)

  • Estações padronizadas
  • Controle de acesso e logs
  • Plano de contingência documentado

Auditoria

  • Pasta digital de evidências
  • Auditoria interna periódica
  • Registro de ações corretivas

Indicadores (KPIs) que ajudam a cumprir a RDC 611

  • Taxa de repetição por modalidade
  • Principais causas de repetição
  • TAT de laudo
  • Backlog de exames
  • Conformidade do PGQ
  • Manutenção preventiva realizada x planejada
  • % da equipe treinada em POPs críticos

Esses KPIs transformam a RDC 611 em gestão contínua, não em corrida pré-auditoria.

Erros comuns que geram não conformidade

  • PGQ apenas formal, sem registros
  • Manutenções sem evidência
  • Telerradiologia sem padronização
  • Falta de plano de contingência
  • Ausência de auditoria interna

Todos eles são evitáveis com processo e governança.

Conclusão

A RDC 611 não deve ser vista como uma exigência pontual, mas como um modelo de organização do serviço de radiologia. Quando governança, qualidade, tecnologia e telerradiologia operam de forma integrada, a conformidade deixa de ser um esforço extra e passa a ser parte da rotina.

Serviços que estruturam bem seus fluxos, mantêm evidências e usam tecnologia com governança conseguem reduzir risco sanitário, melhorar qualidade assistencial e enfrentar auditorias com segurança.

Perguntas Frequentes (FAQ)

 

O que é a RDC 611 da Anvisa?

A RDC 611 é uma resolução da Anvisa que define os requisitos sanitários para o funcionamento de serviços de radiologia diagnóstica e intervencionista, incluindo gestão, qualidade, proteção radiológica, tecnologia, documentação e telerradiologia.

A RDC 611 se aplica a clínicas e hospitais de todos os portes?

Sim. A RDC 611 se aplica a qualquer serviço que realize exames radiológicos, independentemente do porte. O nível de complexidade do serviço muda, mas as exigências de governança, qualidade e rastreabilidade permanecem.

A RDC 611 vale para telerradiologia e laudos remotos?

Sim. Serviços que operam com telerradiologia ou laudo remoto precisam garantir que as estações externas, os sistemas, a segurança da informação e os processos atendam aos requisitos da RDC 611, como se o laudo fosse realizado localmente.

Redação

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