
O Protocolo de Manchester é um sistema estruturado de classificação de risco utilizado em emergências para priorizar o atendimento conforme a gravidade do quadro clínico. Ele organiza o fluxo de pacientes por cores, define tempos máximos de espera e ajuda equipes e gestores a reduzir mortalidade, superlotação e conflitos sobre a ordem de atendimento. Se você quer entender em detalhe o que é o protocolo de Manchester, como funcionam as cores, quem aplica e como implementar na sua instituição, este guia foi feito para isso.
O Protocolo de Manchester é um método de triagem criado em 1994 pelo médico Kevin Mackway-Jones, inicialmente adotado no Manchester Royal Infirmary, na Inglaterra, e hoje utilizado em dezenas de países, incluindo o Brasil. Ele é um sistema de classificação de risco que organiza pacientes em categorias de prioridade com base na urgência clínica, usando um esquema de cores e tempos máximos de espera. A lógica é simples: garantir que os casos mais graves sejam atendidos primeiro, mesmo quando a ordem de chegada não é respeitada.
Em resumo: é uma ferramenta de triagem baseada em evidências, que não substitui o diagnóstico médico, mas organiza o atendimento e reduz o risco de atrasos críticos.
O principal objetivo do Protocolo de Manchester é priorizar o atendimento conforme a urgência, garantindo rapidez para casos críticos e organização para os demais. Entre os benefícios estão:
Redução de óbitos e complicações causadas por demora no atendimento.
Organização eficiente do fluxo da sala de espera e do pronto-atendimento.
Comunicação clara com pacientes sobre prioridade e tempo estimado de atendimento.
Maior segurança clínica e padronização de condutas de triagem.
Melhoria na gestão de recursos humanos e físicos nos serviços de emergência.
Ao explicitar as prioridades, o protocolo também ajuda a reduzir conflitos na recepção e na sala de espera, pois a equipe pode justificar a ordem de atendimento com base na classificação de risco.
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No protocolo de Manchester, cada paciente recebe uma pulseira colorida que indica o grau de urgência e o tempo máximo de espera recomendado. Isso facilita a comunicação entre equipe e pacientes e torna o processo mais transparente.
Cada paciente recebe uma pulseira colorida que representa a prioridade do atendimento, conforme o grau de risco identificado durante a triagem. Conheça abaixo os níveis de classificação:
| COR | NÍVEL DE URGÊNCIA | TEMPO MÁXIMO DE ESPERA | EXEMPLOS DE CASOS |
|---|---|---|---|
| Vermelho | Emergencial | Atendimento Imediato | Parada cardiorrespiratória, convulsão, hemorragias graves. |
| Laranja | Muito urgente | Até 10 minutos | Dores intensas, arritmias sem instabilidade, cefaleias intensas. |
| Amarelo | Urgente | Até 1 hora | Desmaios, crises de pânico, dores moderadas, alterações vitais. |
| Verde | Pouco urgente | Até 2 horas | Dores leves, febres, resfriados, vômitos controlados. |
| Azul | Não urgente | Até 4 horas | Casos rotineiros, medicamentos, acompanhamento de doenças crônicas. |
Esse sistema visual facilita a comunicação entre equipe e paciente e permite melhor organização do atendimento.
Ao chegar ao pronto-atendimento, o paciente é inicialmente acolhido pela recepção e, em seguida, encaminhado à triagem de enfermagem. Nessa etapa, um profissional treinado aplica o protocolo de Manchester seguindo um roteiro clínico.
Na triagem, a equipe de enfermagem:
Registra a queixa principal (ex.: dor no peito, falta de ar, febre, trauma, mal-estar geral).
Avalia sinais vitais: pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória, temperatura e saturação de oxigênio.
Avalia a intensidade da dor com escalas reconhecidas.
Observa nível de consciência e outros sinais de gravidade (confusão mental, dificuldade para respirar, sangramento ativo).
A partir disso, o profissional seleciona um “fluxograma” ou apresentação clínica (como dor torácica, dispneia, trauma, etc.) e aplica “discriminadores” pré-definidos, que são sinais e sintomas que direcionam a cor (por exemplo, dor intensa, alteração de consciência, sinais de choque). Essa combinação leva à definição da pulseira de cor e do tempo máximo de espera recomendado para aquele caso.
O protocolo serve como guia padronizado para priorizar, mas não substitui o julgamento clínico. Pacientes podem ser reavaliados e reclassificados se houver piora enquanto aguardam.
A aplicação do protocolo de Manchester é, em geral, responsabilidade da equipe de enfermagem, que deve ser treinada e certificada. No Brasil, a formação é oferecida por instituições como o Grupo Brasileiro de Classificação de Risco (GBCR), que adapta o protocolo à realidade local e atualiza conteúdos conforme avanços científicos.
Além do treinamento, a triagem exige:
Esfigmomanômetro (medidor de pressão arterial).
Oxímetro de pulso.
Termômetro clínico.
Glicosímetro (quando necessário).
Pulseiras ou etiquetas coloridas padronizadas.
O conhecimento técnico, somado a equipamentos adequados, permite uma avaliação rápida e confiável para definir a cor correta.
Atendimento mais rápido nos casos graves.
Maior transparência na ordem de atendimento.
Sensação de segurança e cuidado organizado.
Apoio à tomada de decisão na porta de entrada.
Critérios padronizados que reduzem subjetividade e variabilidade entre triadores.
Menos pressão individual para decidir “quem entra primeiro”, diminuindo conflitos com familiares.
Otimização do uso de leitos, equipes e salas de atendimento.
Redução da superlotação e do tempo médio de permanência na emergência.
Dados estruturados por cor e tempo de espera, úteis para dimensionamento de recursos e negociação com operadoras e gestores públicos.
| Público-Avo | Benefícios |
|---|---|
| Pacientes | Atendimento ágil e seguro, redução do tempo de espera. |
| Profissionais de Saúde | Melhora na tomada de decisão e organização do fluxo de trabalho. |
| Gestores Hospitalares | Otimização dos recursos, diminuição da superlotação e maior eficiência. |
Para uma implementação bem-sucedida, é importante encarar o protocolo como um projeto institucional, não apenas um treinamento pontual.
Passos recomendados:
Sensibilizar a liderança e as equipes
Apresentar objetivos, benefícios e mudanças de processo para médicos, enfermagem, administrativo e TI.
Capacitar e certificar a equipe de enfermagem
Buscar cursos reconhecidos, presenciais ou híbridos, com prática supervisionada.
Rever fluxos de atendimento na porta de entrada
Ajustar recepção, triagem, sala de espera e fluxo para consultórios e leitos de observação.
Conectar o protocolo aos sistemas digitais de gestão
Registrar a cor da classificação no prontuário, painéis de triagem e relatórios gerenciais, permitindo monitorar tempos por cor e identificar gargalos.
Implantar auditorias e educação continuada
Avaliar periodicamente acertos, subtriagens e supertriagens, revisando processos e reciclando a equipe.
A digitalização da saúde abre espaço para integrar o protocolo de Manchester a sistemas de gestão, teletriagem e telemedicina. Plataformas modernas permitem:
Registrar a classificação de risco diretamente em sistemas de emergência e prontuário eletrônico.
Acompanhar em tempo real o tempo de espera por cor, ajudando a priorizar recursos.
Apoiar triagens iniciais à distância, com teletriagem e IA, especialmente em redes com muitas unidades ou regiões remotas.
Soluções como as da Portal Telemedicina, que unem interoperabilidade com prontuário, laboratórios, LIS e PACS, podem ser integradas a fluxos de urgência para acelerar laudos de exames críticos e apoiar a tomada de decisão em casos laranja e vermelhos, tanto em grandes cidades quanto em regiões remotas.
No Brasil, o protocolo de Manchester é reconhecido e recomendado por diferentes serviços de saúde, embora não exista lei que o torne obrigatório. Grupos como o GBCR mantêm o conteúdo atualizado, incorporando:
Diretrizes nacionais de urgência e emergência.
Uso de tecnologia, como telemedicina e ferramentas digitais, para registrar triagens, gerar relatórios e apoiar a gestão.
Gestores devem acompanhar essas atualizações e garantir que suas equipes mantenham certificações válidas e reciclagens regulares.
Mesmo sendo um sistema robusto e internacionalmente validado, o protocolo de Manchester tem limitações e precisa ser aplicado com senso clínico:
Não é um diagnóstico definitivo: apenas orienta prioridade.
Depende fortemente da qualidade da capacitação e da experiência da equipe.
Requer reavaliações periódicas de pacientes que aguardam, pois um quadro inicialmente verde pode se agravar e precisar de reclassificação.
Por isso, a instituição deve prever fluxos de reavaliação na sala de espera e auditorias regulares sobre a qualidade da triagem.
A adoção consistente do protocolo tem demonstrado, em diferentes contextos:
Redução do tempo médio de espera em emergências, especialmente em casos graves.
Diminuição de mortalidade e complicações associadas a atrasos.
Melhor satisfação dos pacientes em relação à organização e transparência.
Uso mais racional de recursos humanos e de infraestrutura.
Quando associado a sistemas digitais de gestão e a estratégias de telemedicina, o impacto tende a ser ainda maior, pois o gestor ganha visibilidade em tempo real do que acontece na porta de entrada e consegue intervir com mais agilidade.
O Protocolo de Manchester é uma ferramenta chave para organizar o atendimento em emergência, tornando a classificação de risco mais segura, transparente e alinhada à gravidade de cada paciente. Quando combinado com capacitação de qualidade, sistemas digitais e estratégias de telemedicina, ele se torna um grande aliado não apenas para salvar vidas, mas também para apoiar equipes e gestores na construção de serviços de urgência mais eficientes e humanos.
Não é obrigatório por lei, mas amplamente recomendado por entidades de saúde e utilizado como padrão em muitos hospitais.
O Manchester é um dos mais completos e testados internacionalmente, com sistema de cores simples e eficaz para priorização.
Profissionais de enfermagem capacitados e treinados justamente para avaliar corretamente os pacientes.
Informe à equipe qualquer nova alteração no seu estado para que possam reavaliar sua prioridade, se necessário.
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