
Resposta rápida: De acordo com a pesquisa TIC Saúde 2025 (divulgada em maio de 2026 pelo Cetic.br/NIC.br), 92% dos estabelecimentos de saúde brasileiros com internet utilizam sistemas eletrônicos para registrar informações de pacientes. No entanto, a interoperabilidade real permanece restrita: apenas 44% possuem funcionalidades para enviar ou receber encaminhamentos eletrônicos e 38% realizam a troca de informações clínicas entre diferentes serviços. Além disso, 55% das instituições ainda operam em modelo híbrido (dividindo registros entre papel e meio digital), e 44% estão integradas à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), com liderança do setor público (64%) sobre o privado (27%).
O levantamento retrata um setor que avançou expressivamente na informatização de base, mas ainda enfrenta barreiras estruturais para conectar as informações geradas nos diferentes pontos da assistência médica. Para gestores de clínicas, hospitais e redes de diagnóstico, o desafio atual não é mais apenas adquirir um software de gestão: é garantir que o histórico do paciente circule com integridade, agilidade e segurança jurídica quando ele é encaminhado para outro profissional ou unidade.
A distinção é crítica: registrar uma consulta em formato digital não garante que o dado seja legível por outro serviço. Da mesma forma, emitir um laudo eletrônico não assegura sua incorporação automática ao prontuário utilizado no atendimento de retorno.
Os dados da TIC Saúde evidenciam um descompasso estrutural entre a presença de sistemas eletrônicos internos e a capacidade de comunicação externa entre as instituições:
A utilização de sistemas eletrônicos para o registro de dados clínicos permaneceu estável em 92% dos estabelecimentos conectados. Entre as Unidades Básicas de Saúde (UBS), o índice atingiu 97%; nos Serviços de Apoio à Diagnose e Terapia (SADT), alcançou 96%.
A presença do software, contudo, não significa a eliminação completa do papel.
Para dimensionar a forma como as instituições armazenam os dados dos pacientes, a tabela abaixo apresenta a distribuição dos modelos de registro no país:
| Modelo de armazenamento das informações dos pacientes | Proporção de estabelecimentos (TIC Saúde) |
| Sistemas eletrônicos ativos para registro | 92% |
| Armazenamento híbrido (parte em papel e parte eletrônico) | 55% |
| Armazenamento exclusivamente eletrônico | 37% |
| Armazenamento exclusivamente em papel | 5% |
O modelo híbrido mostrou-se especialmente expressivo nos serviços com internação hospitalar: apareceu em 69% das unidades com até 50 leitos e em 80% dos hospitais com mais de 50 leitos.
A coexistência de registros físicos e digitais reflete exigências administrativas históricas, limitações de infraestrutura local e resistências de adaptação nas rotinas de trabalho. Para a gestão hospitalar, a prioridade é mapear onde estão os gargalos dessa dualidade, impedindo que exames e evoluções registrados fisicamente fiquem inacessíveis para o médico assistente durante uma tomada de decisão crítica.
A pesquisa do Cetic.br reforça que a posse de um sistema informatizado não assegura que a instituição consiga transferir dados de forma interoperável com outros atores da rede de saúde.
Em 2025, somente 44% das unidades relataram que seus sistemas permitiam enviar ou receber encaminhamentos eletrônicos. A troca direta de informações clínicas estava disponível em apenas 38%, e a transmissão de relatórios de alta ou encaminhamento, em 41%.
A análise técnica do levantamento aponta a fragmentação de softwares e a ausência de barramentos universais como os principais entraves para a continuidade do cuidado.
Para compreender as exigências de arquitetura necessárias para superar esses bloqueios, confira nosso estudo técnico sobre os desafios da integração de sistemas em saúde.
Um dos recortes mais relevantes do levantamento desfaz o mito de que o setor privado seria invariavelmente mais avançado em todas as frentes da tecnologia médica.
Para comparar a maturidade de conectividade externa entre as redes de saúde, a tabela abaixo consolida as funcionalidades de troca de informações por natureza jurídica:
| Funcionalidade de troca de dados entre estabelecimentos | Média nacional | Setor público (SUS) | Setor privado |
| Envio e recebimento de encaminhamentos eletrônicos | 44% | 64% | 28% |
| Troca de informações clínicas estruturadas | 38% | 53% | 25% |
| Relatórios de alta e sumários de transferência | 41% | 55% | 29% |
A vantagem do setor público decorre da organização em redes hierarquizadas e da adoção de sistemas unificados de regulação e atenção básica (como o e-SUS APS e plataformas estaduais de regulação).
No setor privado, a autonomia concedida a cada clínica ou hospital na escolha de fornecedores de software descentralizados gerou silos de dados isolados, dificultando a coordenação do cuidado quando o paciente transita entre operadoras, laboratórios e centros hospitalares.
A pesquisa introduziu um indicador específico sobre a conexão com a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), infraestrutura oficial do Ministério da Saúde voltada para a interoperabilidade clínica em escala nacional.
Entre os estabelecimentos com internet, 44% declararam estar conectados à RNDS. O indicador apresentou forte disparidade setorial e regional:
Estar conectado à RNDS, contudo, não garante que 100% dos exames e prontuários da unidade estejam sincronizados na nuvem, mas sinaliza a implementação dos primeiros conectores de dados padronizados.
A expansão dos atendimentos médicos a distância intensificou a necessidade de tráfego seguro de arquivos clínicos entre unidades geograficamente dispersas.
Para demonstrar o crescimento dos serviços remotos nos estabelecimentos de saúde, a tabela a seguir apresenta a evolução das modalidades de telessaúde:
| Modalidade de atendimento remoto | Presença em 2023 | Presença em 2025 | Variação percentual |
| Teleconsultoria | 27% | 36% | +33,3% |
| Teleconsulta | 22% | 28% | +27,2% |
| Telediagnóstico (emissão de laudos a distância) | 21% | 27% | +28,5% |
| Telemonitoramento de pacientes | 14% | 20% | +42,8% |
No telediagnóstico, a integridade do dado é vital: um exame de eletrocardiograma ou tomografia realizado em um posto avançado precisa ser transmitido sem distorções para a central de laudos, e o parecer emitido pelo especialista deve retornar de forma automatizada ao prontuário eletrônico da unidade de origem.
Para operações com múltiplas filiais que buscam conectar suas rotinas diagnósticas sem gerar gargalos, consulte nosso checklist de implantação de telelaudos em redes de clínicas.
A avaliação de maturidade tecnológica não deve medir a quantidade de computadores adquiridos, mas a fluidez do tráfego de dados ao longo da jornada assistencial.
Para apoiar a auditoria dos fluxos de dados, a matriz a seguir sintetiza os pontos críticos de checagem:
| Pergunta estratégica de gestão | Requisito técnico que precisa ser auditado |
| O paciente é identificado de forma única entre filiais? | Existência de regras de validação cadastral para evitar prontuários duplicados (Master Patient Index). |
| A informação chega ao software de destino sem perda? | Confirmação de recebimento no gateway de integração e tratamento automatizado de falhas de transmissão. |
| A equipe assistencial consegue utilizar o dado recebido? | Compatibilidade de formatos (HL7 FHIR, PDF assinado, campos estruturados) dentro da tela de atendimento. |
| Existe governança clara para o tratamento de pendências? | Divisão nominal de responsabilidades entre equipe da recepção, suporte de TI e fornecedor da plataforma. |
| Os acessos e compartilhamentos cumprem a LGPD? | Criptografia ponta a ponta, controle de permissões por perfil profissional e rastreabilidade por logs. |
A abertura de canais para o tráfego eletrônico de dados exige protocolos rigorosos de segurança cibernética. A pesquisa TIC Saúde revelou que apenas 42% dos estabelecimentos possuem política formal de segurança da informação e somente 30% implementaram um plano estruturado de resposta a incidentes de dados.
A integração de prontuários nunca deve significar circulação indiscriminada de arquivos. Sob as exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), informações clínicas são dados pessoais sensíveis: o compartilhamento exige finalidade assistencial legítima, consentimento quando cabível e minimização de acesso.
Para alinhar os fluxos de TI aos requisitos legais vigentes, leia nossa análise sobre a LGPD na emissão de laudos médicos e prontuários.
A modernização dos serviços de saúde não exige a substituição desenfreada de softwares legados, mas a implantação de uma camada inteligente de integração capaz de interoperar equipamentos diagnósticos, estações de trabalho e sistemas centrais.
A plataforma de telemedicina da Portal Telemedicina atua exatamente nessa ponte de conectividade. Nossa arquitetura em nuvem comunica-se nativamente com os principais padrões médicos de mercado (DICOM, HL7 e APIs RESTful), permitindo que clínicas, hospitais e operadoras unifiquem exames de múltiplas unidades, acessem laudos remotos de especialistas com assinatura digital ICP-Brasil e mantenham total conformidade com a LGPD e as normas do CFM.
A ampla penetração dos sistemas eletrônicos nos serviços de saúde brasileiros marca a consolidação da primeira fase da transformação digital: a substituição do papel pelo registro em tela. No entanto, como comprovam os indicadores da pesquisa TIC Saúde, a informatização isolada não resolve a continuidade do cuidado se os dados permanecerem represados em sistemas que não conversam entre si.
O próximo salto de maturidade da saúde brasileira exige priorizar a interoperabilidade estruturada, conectando a atenção primária, os hospitais e os centros de diagnóstico por imagem em uma malha de dados contínua e segura sob os ditames da LGPD. Ao adotar padrões modernos de integração e contar com parceiros tecnológicos consolidados como a Portal Telemedicina, gestores transformam registros eletrônicos estáticos em uma rede assistencial conectada, ágil e focada na segurança do paciente.
O levantamento demonstra ampla adoção de registros digitais (92% dos serviços com internet possuem prontuários eletrônicos), mas aponta que a troca de dados entre instituições ainda é incipiente, com apenas 38% das unidades realizando transferências de informações clínicas estruturadas.
Não. A posse de um software de prontuário eletrônico indica apenas informatização interna de processos. A interoperabilidade exige que o sistema adote padrões de comunicação abertos (como HL7 FHIR) para enviar, receber e interpretar dados de outras plataformas de saúde de forma transparente.
O SUS organiza seus serviços em redes regionalizadas e reguladas por centrais estaduais e municipais, utilizando plataformas padronizadas (como o e-SUS e sistemas de regulação médica). No setor privado, a proliferação de softwares proprietários concorrentes sem integração prévia atrasou o compartilhamento de registros.
Não. O modelo híbrido é uma realidade em 55% dos estabelecimentos do país. No entanto, ele exige protocolos rigorosos de controle para evitar perda de dados, duplicidade de registros e falhas assistenciais provocadas pelo extravio de documentos físicos.
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