Por Rafael Alvez*

30/11/2018

A inteligência artificial (IA) é um conceito que se baseia na capacidade de aprendizado dos computadores (machine learning), o que pode lhes garantir autonomia no desempenho das mais diversas tarefas. Essa tecnologia revolucionária, outrora factível apenas em filmes de ficção científica, finalmente chegou para ficar. O desenvolvimento de algoritmos capazes de aprender, se comunicar e simular aspectos da mente humana se intensificou nos últimos anos e tem gerado inúmeras aplicações práticas, incluindo soluções promissoras na indústria de aplicação de Inteligência Artificial na Medicina.

Embora ainda estejamos nos primórdios dessa nova era, máquinas cada vez mais pensantes já estão ajudando a salvar vidas em todo o mundo. Para ilustrar essa realidade, apresentamos cinco aplicações da inteligência artificial pensadas para facilitar o trabalho dos profissionais da saúde e melhorar a qualidade de vida de todos nós.

  1. Inteligência Artificial na medicina diagnóstica

A Portal Telemedicina criou, com o software TensorFlow, do Google, uma solução inovadora para a emissão de laudos à distância. Seu sistema ajuda médicos em todo o Brasil a obter diagnósticos mais assertivos, pois compara analiticamente exames presenciais a casos similares de uma base de dados com 30 milhões de imagens e exames. A plataforma elabora recomendações médicas com critérios confiáveis e precisos graças ao uso da Deep Learning, um método em que algoritmos complexos imitam a rede neural do nosso cérebro, conferindo ao sistema uma capacidade de detectar achados médicos em nível sobre-humano.

Se o exame médico e a recomendação do algoritmo não baterem, o exame é encaminhado a outros três doutores para uma avaliação mais detalhada. O programa incorpora aprendizados a cada laudo emitido, acumulando repertório clínico à sua base de dados. Outro aspecto inovador do sistema é sua capacidade de fazer uma triagem automática dos exames, permitindo que os casos emergenciais tenham prioridade na fila do médico.

  1. Em cirurgias

Robôs estão presentes em salas de cirurgia há décadas e já se mostraram eficazes na tarefa de tornar procedimentos menos invasivos. Mas, no que depender dos avanços da Inteligência Artificial, o papel das máquinas deve ficar ainda mais complexo. Já há, por exemplo, robôs inteligentes capazes de analisar avaliações pré-operatórias para orientar os movimentos do médico durante a cirurgia – o que pode diminuir em até 20% no tempo de internação de um paciente.

Uma das maiores ambições deste setor, porém, é criar robôs autônomos, aptos a conduzir cirurgias sem a necessidade de comandos pré-definidos e com a capacidade de usar dados de operações passadas para aprimorar suas técnicas. Nessa corrida tecnológica, o Google e a Johnson & Johnson largaram na frente com a co-fundação da start-up Verb Surgical, um projeto que desenvolve ferramentas de machine learning para democratizar o acesso às cirurgias. O super robô cirurgião ainda é um protótipo, mas a Verb estima que ele deve chegar ao mercado já em 2020.

  1. No tratamento intensivo

A empresa israelense de análises clínicas Clew inventou uma plataforma baseada em IA para prever, em estágio inicial, potenciais complicações fatais na UTI. Pensada para auxiliar decisões médicas no mais delicado dos estágios de tratamento, a solução promete identificar o colapso de sistemas vitais com duas ou três horas de antecedência.

A ferramenta de análises colhe informações como pressão arterial, oxigênio, níveis de sangue e capacidade cardíaca de pacientes em tratamento intensivo e as compara com uma base de dados para identificar padrões antes que eles culminem na interrupção das funções cerebrais ou cardíacas. Ela já foi usada em testes em hospitais de Israel e dos EUA e deve estar disponível comercialmente a partir de 2019.

  1. Em exames

Criado pela empresa Healthy.io em parceria com a Siemens Healthineers, o Dio.io permite que pacientes possam fazer seu exame de urina no conforto de suas casas. Aprovado recentemente pela agência norte-americana de fármacos FDA, o produto é um é um kit que coleta e analisa amostras com ajuda de machine learning e visão computacional.

O paciente abre o app do Dio.io e, com a ajuda de um assistente virtual (chatbot), segue o passo a passo: primeiro, encher um recipiente com a urina; em seguida, imergir uma tira que, em contato com o material, pode adquirir várias colorações. Com ajuda da câmera do celular, em instantes o app processa as informações visuais contidas na tira, entrega os resultados mais prováveis e dá conselhos, incluindo a recomendação de uma consulta médica se for o caso.

  1. Na prevenção

Lançado em 2018 pela Nautilus, a plataforma Max Intelligence é um sistema de treinamento físico baseado em inteligência artificial que vem embutida em alguns de seus equipamentos cardiovasculares. Trata-se de um personal-trainer virtual capaz de desenvolver e orientar treinamentos aeróbicos totalmente personalizados, utilizando vídeos criados por instrutores e ferramentas motivacionais para criar uma rotina de treinos eficiente e estimulante.

Com base na capacidade física e nos objetivos de cada pessoa, a máquina vai aprendendo e aperfeiçoando suas orientações à medida da evolução de cada um. A interface para gerenciar os treinamentos é fácil de usar e roda em um tablet desenvolvido em parceria com a Samsung, que foi criado exclusivamente para as máquinas Bowflex Max Trainer vendidas pela empresa norte-americana.

* Rafael Alvez é jornalista há 18 anos. Foi editor-chefe dos portais Yahoo e MSN, editor sênior da App Store, e redator para várias marcas e veículos de comunicação. Hoje atua como estrategista de conteúdo e consultor em marketing digital, com especialização em tecnologias de vanguarda.

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